A três por dois*

Apenas para iniciar o debate (com pretensões de desenvolvê-lo em conjunto em outro momento), aumentar as vendas de livro é uma preocupação constante; pouco se fala, no entanto, em ampliar o número de leitores. Embora pareça uma relação lógica, nem sempre assim é tratada. Freqüentes são as soluções que apontam para as vendas governamentais. Compra o governo. E quem lê? Objetivamos vender material? Ou nos interessa sobretudo o que há de mais imaterial na produção de livros: as idéias, os conceitos, as histórias e toda a relação de construção de fantasia e/ou conhecimento no contato do leitor?

Sem dúvidas, o fascínio pelas letras que podem contar histórias inicia-se justamente no momento desta descoberta: a infância. Reside aqui o enorme desafio de conquistar os novos leitores, contudo é muito usual que os livros acabem virando mais traumas que boas recordações. E quem haveria de sofrer mais com isto tudo? Homero, Guimarães Rosa, Eça de Queiroz, Mark Twain e companhia. “Clássico é chato” é uma heresia tão corriqueira que já nem mais soa estranha. Parece que a metodologia das escolas brasileiras – obrigando os alunos a ler para avaliações – não tem dado resultados satisfatórios.

Para falar sobre leitura na infância, poucas pessoas teriam tanta propriedade no Brasil quanto Ana Maria Machado. No livro Como e por que ler os clássicos universais desde cedo (Objetiva, R$32), a autora aborda essa questão focando nos clássicos. Longe, porém, de ser um estudo cansativo, a leitura deste livro acaba tomando um novo viés ao criar uma vontade de mergulhar nas obras ali citadas. Fica a recomendação também de outro volume da série, Como e por que ler a literatura infantil brasileira (Regina Zilberman, Objetiva, R$ 32)

Com tantos títulos bons nestes dois volumes, fica difícil saber por onde começar. Uma das opções mais tentadoras é Moby Dick de Herman Melville na edição luxuosa da Cosac Naify (de R$64 a R$99). O projeto caprichado aumenta ainda mais o prazer desta leitura. E, não bastassem a recomendação e a excelente edição, o site SparkNotes (em inglês) contém um excelente guia para a leitura deste clássico e de outras obras (em especial as literaturas americana e inglesa).

E tem início a discussão!

*Desordenadamente

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6 Respostas

  1. Concordo Renato. Quem é que não teve trauma na escola com o Dom Casmurro de Machado de Assis?
    Acho que se a escola estimulasse a criança a ler o que ela mais gosta, teríamos mais adultos leitores. Ler nunca é prejudicial. Sustendo a tese de que se deve começar a ler sempre pelo o que é mais agradável.

  2. Adorei o Sparknotes!! mt bom!!!

  3. Taynée, eu costumo pensar sobre isso. Lembro mesmo que fazia esta sugestão quando estava no ensino fundamental, ao que minha mãe me questionava como uma professora coordenaria 50 leituras distintas.

    Este, afinal, é um outro problema que não ignoro: as salas de aula – públicas e particulares – têm mais alunos que o razoável, o que prejudica de uma proposta para estimular o prazer da leitura às experiências com diferentes metodologias.

  4. O Renato levantou uma questão muito pertinente. Acredito que falar da formação de leitores é antes de mais nada falar da formação de mestres. A despeito de se discustir sobre a eficácia de falar das dúvidas do amor para os impúberes (cuja dúvida maior é quem estará na capa da próxima revista), me parece importante destacar o papel do professor e da família na construção do hábito de leitura da criança.
    Turmas grandes realmente dificultam o trabalho, afinal cada um tem a sua Capitu e ela como todo o universo literário é construído a partir de algo que já tinhámos de referência: nossas experiências e aquilo com que conseguimos sonhar.
    E como todo mundo sabe experiência é como a bunda, cada um tem a sua. Acho que a tarefa dos mestres de orientar o aluno deveria ser mais flexível, menos programática. Falar de Machado para um paranaense e um carioca com a mesma cartilha é burrice ou desperdício: para um não interessa saber sobre a geografia e história do Rio do séc XIX, para o outro isso pode ser estimulante e desencadear o prazer da leitura ou a escolha de uma profissão.
    A experiência que se adquire nas leituras é riquíssíma e não se pode (ou não se deve) encaixotá-la em guias de leitura.
    Por enquanto só tenho a problemática, alguém se arriscar com a solucionática?

  5. gente, muito legal a iniciativa do seu período de montar o blog. bacana mesmo.

    queria saber se o meu período (o sétimo, agora) pode uploadear nossos trabalhinhos, divulgar frilas, e comentar projetos finais e monografias, dando um feedback maior da habilitação mais redondinha da eco.

    nós somos a Vivian ( vivian_andreozzi@yahoo.com.br ), a Lilian ( lilimafranco@gmail.com ), a Anastha ( anasthamc@yahoo.com.br ) e o Thadeu ( thadeu.rabelo@gmail.com ), além de mim ( amanda.mein@gmmail.com ), claro, e o arthurzinho, que mora dentro da minha barriga =).

    tanto a Vivian, quanto a Lilian, a Anastha e eu trabalhamos com design de livros desde mais ou menos o começo desse ano, finzinho do ano passado. e, o melhor: em editoras com padrões compeltamente díspares de publicação. acho que teríamos bastante a acrescentar pro bom funcionamento do curso.

    abs!

  6. Claro amanda!
    Estamos criando um espaço para a divulgação de nossos trabalho sim.
    Assim que estiver pronto abrimos para todos os períodos de PE.

    taynée

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