Editar: paixão pelo livro

“Edição é paixão pelo livro e paixão pela coisa intelectual”, eis o primeiro capítulo do livro da coleção “Editando o Editor I – J. Guinsburg”, que reúne relatos de importantes profissionais do campo editorial. O primeiro volume conta a experiência de J. Guinsburg, fundador da Editora Perspectiva.

A criação de Editora Perspectiva foi uma “aventura”. Segundo J.G, assim como todo projeto humano é acompanhado de uma utopia, numa editora – enquanto iniciativa no campo cultural – essa ilusão é muito mais forte. Para J.Guinsburg, a questão editorial não é apenas de ordem empresarial. Há uma ligação direta entre o intelectual, o literário e o processo de editoração, daí é que sobrevém a “paixão” que deve inspirar o editor na hora de escolher quais textos devem ou deveriam ser publicados.

O que não é uma escolha tão simples assim, uma vez que há duas maneiras de se trabalhar que definem os perfis de editores. A primeira delas é aquela que J.G. define como a favor do mercado, pelo menos ao que se supõe ser o mercado. E existe aquilo que se supõe ser contra o mercado.

Quem trabalha “a favor” não corre rico algum e, segundo ele, não é propriamente um editor, é antes um publisher, que faz uma análise do mercado, realiza levantamentos econômicos e mercadológicos e, em função da demanda, lança. É pensar em função do lucro previsto; se um livro, ainda que seja bom, não tem mercado, não interessa sua publicação.

Quem joga “contra” corre riscos sempre. É realmente uma aposta publicar um livro, com todos os encargos pecuniários que este implica, quando este livro for para as livrarias e não ser vendido em uma quantidade razoável. Fazer esse tipo de proposta num país como o Brasil, com baixo índice de leitura, torna-se uma verdadeira aventura, e das mais perigosas.

A linha editorial da Perpectiva, desde sua fundação em 1965 e sob a direção de J.G, tem trilhado este caminho. Nesta Editora, as perguntas básicas para se publicar um livro devem ser: este livro merece ser lido, merece circulação? Ele reúne qualidades mínimas pelas quais vale à pena apostar?

Na disputa de best-sellers, será que as editoras atuais ainda pensam na questão da qualidade? Uma editora deve ser vista como “projeto cultural” como defende J.G?

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2 Respostas

  1. Taynéezinha, acho a sua pergunta pertinente e ao mesmo tempo uma provocação, diante dos atuais padrões de mercado. Acho que o edidor de hoje deve deixar, tentar pelo menos, que o seu feeling o mova e faça as escolhas mais adequadas, mas também não deve tirar o olho do mercado. Este deve ser o maior desafio, talvez: publicar movido pela paixão (como Guinsburg), estando atento aos modelos editoriais impostos pela indústria, sem se deixar seduzir pelo óbvio e mais vendável.

  2. Sem dúvida alguma, um exemplo! Apenas não podemos cair numa crítica barata ao vendável e ao popular, especialmente no que se refere à literatura. A avaliação é mais difícil do que parece.

    No mais, compartilho da opinião de Guinsburg. E me causam certa irritação esses “os segredos” e similares.

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