Mercado de didáticos no Brasil

Caros,
recebi este artigo pela lista “mundo das editoras”.
Uma boa questão para as aulas o professor Mário e para todos que se precupam com a ética na área cultural/educacional de nosso país.

Rui Falcão
“Compreende-se o interesse das multinacionais pelo mercado brasileiro de livros didáticos: o programa do governo federal de compras de livros didáticos é o maior do mundo. Maior filão do mercado editorial, segundo informações do MEC, 75% das vendas de livros didáticos ao governo são disputadas por apenas quatro empresas (Moderna, FTD, Ática e Saraiva), que dividiram entre si três quartos, ou R$ 559,8 milhões dos R$ 746,4 milhões gastos pelo Ministério da Educação com material didático fornecido aos municípios em 2008. Esse valor é 43% superior aos R$ 523 milhões despendidos em 2007, o que sugere que, além de o País contar com o maior programa de compras de livros didáticos, esse segmento do mercado editorial brasileiro é também o que mais cresce no mundo.

Para abocanhar partes crescentes desse bolo, as editoras em geral não medem esforços, éticos ou condenáveis, para influenciar os responsáveis, direta e indiretamente, pelas compras, da mesma forma como procedem laboratórios farmacêuticos junto à classe médica. Para contê-las em seus ímpetos mercantis, o MEC elaborou recentemente uma cartilha de boas maneiras, para uso das editoras junto aos professores e às escolas. Contudo, a iniciativa, que alcançou eficácia relativa, não chegou a debelar o mal. Tanto assim que um dos motivos admitidos reservadamente por um diretor da Abril Educação, para sair do setor, é que a empresa não se encontra à altura da agressividade da concorrência, com a distribuição de automóveis, viagens internacionais e outros “mimos” para professores, diretores de escolas e autoridades da área de educação. E se o leitor duvidar de tal agressividade, sugiro que abra o site da Fundación Santillana, por exemplo, e constate a proximidade que a empresa espanhola mantém historicamente de ministros brasileiros da Educação, chefes de departamentos do MEC, secretários estaduais da educação e secretários municipais, caracterizando um dos lobbies mais bem incrustados no aparelho de estado brasileiro, do mesmo modo como procede em todo o mundo ibero-americano.” Leia o ótimo texto na íntegra aqui.

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Uma resposta

  1. Não sei quando foram constatadas estas práticas, mas me parecem um tanto inviáveis com os atuais procedimentos de adoção dos livros didáticos.

    A adoção é decidida pelo último (ou penúltimo se considerarmos os estudantes) capilar da cadeia: os professores. É bem possível seduzir alguns profissionais de maneira desonesta, mas até que ponto isso seria lucrativo? Para abocanhar uma grande parte da demanda por didáticos, é necessário convencer individualmente os professores de determinada matéria, de determinado bairro, de dado município de um estado. É gente demais, é descentralizado demais.

    Conforme conversado em aula, foi uma prática muito presente há uma ou duas décadas; hoje não se tem ouvido falar e o processo ficou mais transparente.

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