Mercado editorial português: FNAC e os 10%

Semana passada, a FNAC foi notícia nos jornais portugueses (merecendo chamada inclusive em primeira página, para vocês terem tamanho da repercussão da notícia). O motivo? A suspensão da política de conceder 10% de descontos na venda de todos os livros a qualquer comprador, restringindo o desconto apenas aos detentores do cartão da loja.

Contextualizando: a rede francesa chegou ao território português em 1998, e foi a responsável por trazer para Portugal o conceito de espaço de entretenimento às livrarias, com cafés e programação culturais, assim como em todas as suas filiais espalhadas pelo mundo. Indo contra o padrão de atendimento despreparado dos empregados das grandes livrarias (e também de como funciona a FNAC original), procurou contratar funcionários especializados em pelo menos algum gênero de literatura. (Ou seja, uma Livraria da Travessa com ares de megastore.) Na parte administrativa, buscou adquirir livros de fundo de catálogo não disponíveis em outras livrarias e fez a alegria dos pequenos editores portugueses, efetuando compras diretas dos livros (ao invés de consigná-los). Claro que isto fez com que as pequenas livrarias tremessem nas bases, como acontece sempre que uma megastore chega às redondezas, mesmo com a a política do preço fixo dos livros vigente em Portugal. Mas, obviamente, as pequenas não tem o mesmo poder da FNAC de oferecer desconto em TODOS os livros. Em 10 anos, todas essas práticas aliadas ao “Preço Verde” (os tais 10% de desconto) tornaram a FNAC líder de vendas no segmento de livros no país.

Fidelização ou “curralização” da clientela? Em breve saberemos se esta mudança atrairá ainda mais aderentes ao cartão FNAC, ou se a antipatia pela decisão acabará por reduzir a sua clientela.

(Com informações extraídas do Blogtailors)

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2 Respostas

  1. Não sabia que Portugal também adotava essa política… Acho que isso só vai fortalecer a Fnac em relação a livrarias menores, fenômeno que já acontece aqui no Brasil com a Saraiva…

  2. Acredito que 10% seja uma margem tolerável mesmo em países que adotam o preço único. Radicais mesmo são as promoções das lojas virtuais.

    Sobre o cartão de fidelidade, acho que ficará mesmo para os que já são “fiéis”, por assim dizer. As duas (agora apenas uma) gigantes brasileiras sempre tiveram cartões deste tipo (com descontos bem maiores) e, em geral, é indiferente para o público.

    Não sei, no entanto, quais serã as políticas que a FNAC vai utilizar, porque não duvido que uma boa campanha posso deixar o quadro português totalmente diferente deste que apresentei.

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