Livro: A velha guarda da Portela

[por Paulo Eduardo Neves]

A Velha Guarda da Portela é o melhor grupo de música brasileira. Você pode até discordar, apontar grupos mais virtuosísticos ou inovadores. Só que nenhum outro grupo tem a tradição dos bambas de Oswaldo Cruz com seu repertório belíssimo e original. O livro “Velha Guarda da Portela” de João Batista M. Vargens e Carlos Monte vem lhes prestar as devidas homenagens. É um trabalho de amor, reverência e cuidadosa pesquisa.

Cada capítulo do livro aborda uma faceta diferente do grupo. O início é quase acadêmico, contando a história do lugar, desde de as terras do português Miguel Gonçalves Portela. Adiante o tom muda e se fala sobre a gravação do primeiro disco, produzido por Paulinho da Viola; há depoimentos sobre o grupo; descreve-se os legendários quintais que serviram de ponto de encontro dos bambas; a origem das pastoras; há uma divertidíssima série de causos envolvendo os integrantes da trupe; comenta-se as apresentações mais marcantes através dos anos; as fichas técnicas de cada um de seus discos; e muito mais. Um capítulo especial é dedicado às biografias de cada um dos bambas que já integraram o grupo, de seus primeiros integrantes, como Alvaiade e Aniceto, aos “caçulas” Áurea Maria e Serginho Procópio. O livro ainda está recheado de fotos, várias raríssimas. Perto do final tem um capítulo que fará babar os músicos fãs da Velha Guarda. É uma coleção de 30(!) sambas de terreiro praticamente inéditos da Portela acompanhados de suas partituras. Digo “praticamente” porque claro que vai ter um chato a lembrar que “Concurso para Enfarte” de Alvaiade já foi gravada por Oswaldo dos Santos no disco “Encontro com a Velha Guarda”. Para deixar tudo ainda mais bonito, ainda há várias ilustrações do Lan.

Os autores são mais do que vinculados à escola, são ligados às tradições e músicas dos bambas de Oswaldo Cruz. João Baptista passou a adolescência em Oswaldo Cruz (berço da escola), que também escreveu a biografia de Candeia e foi um dos fundadores da escola de samba Quilombo. Carlos Monte sempre foi muito ligado à escola, tendo sido diretor cultural entre 1972 e 75, sendo hoje mais conhecido por ser pai da cantora Marisa Monte.

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