Qual o segredo do charme e sucesso da Cosac Naify?

Fundada em 1996 por duas famílias árabes, a Cosac e a Naify, que resolveram investir em clássicos de arte no Brasil, a Cosac Naify não é uma editora de grande nem pequeno porte, é intermediária, e vem ganhando destaque entre todas as outras por se comportar completamente diferente. Desde 2001 que novas linhas editoriais passaram a oferecer ao leitor um repertório de obras clássicas da literatura universal, de autores contemporâneos e da literatura brasileira, além de ensaios de referência em filosofia, antropologia e crítica literária. A ampliação do catálogo permitiu  a produção infanto-juvenil e, em 2003, rendeu-lhe o Prêmio Jabuti de Livro do Ano, com o título Bichos que existem e bichos que não existem, de Arthur Nestrovski. No entanto, O capitão de cueca, seu mais famoso título do catálogo infantil, é quem fecha as contas do mês, segundo Paulo Werneck, editor da Cosac de São Paulo, no quarto dia do V Editor em Ação.

Muito foi falado sobre editoras independentes na América Latina. Paulo Werneck  considera sua editora independente, ainda que pequenas e grandes editoras não a reconheçam como tal. “A Cosac Naify é uma editora independente porque não está presa à lógica dos grandes conglomerados nacionais.” Mas o que significa, na prática, seguir a lógica internacional? Na contra-mão, a Cosac não segue um padrão imposto nem se submete ao mercado internacional, porque sua lógica principal não visa o lucro, o que já é uma extravagância. Fora do Brasil, o negócio do livro tem se tornado muito lucrativo e próspero, o que, inevitavelmente, proporciona grande lucro às suas empresas. Com o mercado cada vez mais profissionalizado, adiantamentos altíssimos ao padrão internacional e concentração de redes de livraria já são uma realidade. Dessa forma, “fica difícil uma editora pequena fechar contrato com um grande nome e viabilizar comercialmente seus livros”, conclui. Mesmo fora da política de negociação com as editoras internacionais, isso não a impede de interagir com outras editoras e criar uma rede cultural e reconhecer a qualidade dos livros de editoras como a Cia das Letras, por exemplo.

Werneck acredita que o sucesso da Cosac Naify é, em grande parte, devido a um trabalho auto-centrado. Ele fez questão de deixar bem claro o que a faz diferente das outras editoras: o conceito do seu projeto baseia-se na união entre a qualidade do texto e a ousadia do design. Desde sua origem houve uma aposta nos clássicos, e foi necessário que esses dois elementos ficassem bem amarrados, criando-se um padrão próprio e destacado. A editora “começou com o propósito de editar livros de arte de autores relevantes ainda não publicados aqui no Brasil”.  Com uma cara própria, os livros Cosac Naify são facilmente reconhecíveis em qualquer livraria. Quando que uma editora publicaria um livro sem o seu logotipo na capa, contrariando o marketing editorial? Além do primor gráfico, a editora paulista gosta de quebrar padrões utilizando maciçamente a capa-dura em seus livros, um pouco “fora de moda” atualmente. “O livro é feito para durar, e às vezes, a conceituação do livro pede uma capa-dura.”

Para viabilizar esse projeto cultural, os editores basearam-se em sua própria experiência e biblioteca, publicando livros que gostariam de ver reeditados. Como há uma integração da equipe, a idéia do livro que se quer acaba levando mais tempo para ganhar forma. E o resultado é sempre satisfatório: livros atraentes, diferentes, com design ousado e qualidade no acabamento. Atualmente, Werneck está trabalhando no projeto de um livro de crônicas de Manuel Bandeira. Aficcionado pelo autor, o editor pretende dar ênfase a elementos contextuais que traduzem a cultura de um Rio de Janeiro que já não existe mais, revelando traços urbanísticos da cidade. Perguntado pela importância da internet no trabalho editorial, Werneck respondeu que a utiliza para fazer pesquisas, divulgação, venda e conhecer linguagens diferentes. Defendeu o livro impresso como a máquina mais perfeita para a leitura, tendo a internet como aliada para se alimentar e se fortalecer.

Taynée Mendes e Vânia Garcia

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4 Respostas

  1. meninas,

    é cosac naify ou cosac & naify, e não cosac naif. 😉

    o que o paulo werneck falou na palestra é o que encontramos em grande parte das entrevistas sobre a cosac na rede. não que ele tenha falado alguma besteira, mas… acho que dá pra ir mais a fundo.

    sobre a discussão cosac X cia das letras, transponho uma nota de rodapé, que não sei se incluo ou não no corpo de texto da minha monografia. bom, ainda tenho uns seis meses pra decidir o que faço com ela, hehe.

    “Embora a própria Companhia das Letras assuma papel semelhante desde sua criação, a Cosac & Naify se posiciona de forma mais precisa no mercado como “editora de livros de arte”. A terminologia, capciosa, rende uma antiga discussão: o que seriam esses livros? Livros sobre teoria da arte? Livros tão belos que poderiam ser considerados verdadeiros objetos de arte? Livros contendo reproduções fotográficas de obras de arte? O que diferencia o trabalho da Cosac & Naify frente ao da Companhia das Letras não é apenas suas linhas editoriais, cujas disparidades, agora tênues, uma vez que desde 2001 ”foram criadas [na Cosac & Naify] novas linhas editoriais, que oferecem ao leitor um repertório de obras clássicas da literatura universal, de autores contemporâneos e da literatura brasileira, além de ensaios de referência em filosofia, antropologia e crítica literária” (http://www.cosacnaify.com.br/noticias/institucional.asp?language=pt), apenas reiterariam a proximidade entre a proposta das duas editoras. O que se observa é que o projeto adotado pela Cosac & Naify na concepção, produção e apresentação de seus livros é outrossim o grande diferencial da empresa, por adotar uma linguagem visual considerada por muitos inovadora, enquanto a Companhia das Letras assumiria um papel mais tradicionalista na construção de sua identidade. Mas não se pode entender, aqui, termos como “tradicional” ou “conveniente” em sua acepção pejorativa; ambas as editoras exibem catálogos compostos em sua maioria por livros de alto padrão editorial. O salto aqui é sempre qualitativo, e nunca quantitativo. Porém, é preciso admitir que a identidade visual da Cosac & Naify é mais bem definida, ao assumir sempre o papel de “vanguarda” no design de livros nacional, do que a da Companhia das Letras.”

    ps: minha monografia é sobre o trabalho da elaine ramos na cosac. vale a pena dar uma olhada na ficha catalográfica dos livros de lá para saber quem é. =)

    bjs!

  2. Repórteres profissionais… hehehehee

    Sem dúvida a grande guinada da Cosac deu-se com o incrível Capitão Cueca. Não fosse este incrível herói e suas roupas de baixo mais incríveis ainda, de nada valeriam as super fortunas das famílias Cosac e Naify.

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