Nosso meio na mídia: CBN Noite Total

Na noite do dia 08 de Julho de 2010, foi ao ar no programa CBN Noite Total uma entrevista sobre a relação do governo e das editoras na aquisição de livros didáticos.

Para responder à questão “Governo financia a produção de livros didáticos, mas não pode dispor dos textos como bem entender: quais são os prejuízos para a educação?” foi convidado o professor Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Para ouvir a íntegra da matéria, clique aqui.

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Em primeira pessoa: enquete e comentários

Finalizada há um tempo, ainda chama a atenção o resultado da enquete sobre o que deveriam fazer as editoras em tempos de crise. Um editor americano certamente estaria assustado com a opção vencedora e a lanterninha. De fato é justamente o contrário da experiência americana no atual biênio.

Espantado, qual o imaginário publisher americano, fiquei imaginando as justificativas que cada um dos 31 votantes pensou antes de optar por uma das soluções. Antes de propor as questões, porém, deixo claro que estou desconsiderando as alternativas ausentes na enquete.

Refletindo sobre a opção vencedora é inevitável imaginar o quanto é difícil inserir um novo autor no mercado, mesmo em tempos bons. Qual a receptividade dos novos autores pelo público, nas livrarias e nos meios de comunicação? É rentável ou seguro apostar em novos escritores em tempos de economia estável? Seria a crise global um bom momento para investir em novos autores? Com o mercado quebrado é mais tentador investir algum dinheiro em um desconhecido brasileiro que uma boa quantia em um título que esteja com boas vendas em alguns países?

De fato as apostas são mais nobres que buscar um porto seguro, mas estando a frente de uma editora com escolhas a serem feitas, cada um manteria a opção na qual votou?

Em tempos: se você fosse Schwartz (editora brasileira) colocaria suas fichas no novo Dan Brown, no Jorge Amado ou em jornalista de segundo caderno com seu primeiro romance? E na frente de uma editora americana ou europeia, qual seria a aposta?

Tem de tudo nesta rua #1

Até o dia 27 deste mês, a Feira Intinerante ficará na Cinelândia, em frente às saídas Câmara e Teatro Municipal do metrô. A maioria dos estandes fica aberto até às 19 horas. Destaco nesta feira as biografias (sempre) com boa qualidade por um preço bem mais em conta (Mao, Mauá e Churchill), a primeira edição de “A Construção do Livro” por menos da metado do preço atual e dois exemplares difíceis de encontrar: “Minha razão de viver”, do Samuel Weiner e um raro exemplar, no estado, de um livro sobre o cinquentenário do Fluminense. Rogo que postem outros achados nos comentários.

PS.: Como não podia deixar de ser, o título é homenagem a um livro de infância que me veio à memória.

Tem de tudo nesta rua #0

Dizem as más línguas que ele até trabalha, mora lá longe e chacoalha num trem da Central
(Homenagem ao Malandro, Chico Buarque)

Sempre haverá um dia daqueles no final do período da faculdade, sem sequer uma xerox de má qualidade na mochila, em que teremos que enfrentar uma hora e meia de viagem da Central do Brasil até a última estação do nosso ramal (seja este Santa Cruz, Japeri, Belford Roxo ou Gramacho). Excetuando-se aqueles que tem o dom de dormir em transporte coletivo sem abrir a boca ou cair no passageiro ao lado, a ausência de um bom livro torna quase insuportável o trajeto entre os berros de ambulantes e choros de crianças.

Bem verdade que pouquíssimos – no caso deste blog, que fique claro – irão identificar-se com o homenageado da epígrafe acima. No entanto, a salvação de alguns leitores-viajantes desprevinidos é bastante útil para qualquer leitor, principalmente os que buscam preço ou raridades.

Quem, no começo do ano, passou pela Presidente Vargas deve ter reparado que a Feira de Livros organizada por alguns sebos cariocas estava lá. Confesso que um “Senhor das Moscas” comprado com uma moeda salvou uma viagem de ida e volta naquela época. Os frequentadores do Largo de São Francisco podem, naturalmente, sentir-se em casa. Aos “alérgicos” fica a dica para procurar bem, visitar a feira mais de uma vez e negociar os preços.

Ficam aqui as desculpas por não ter avisado no momento certo, mas inauguro o espaço para sabermos onde está a feira intinerante.

Portugueses vendem livros com 100% de desconto!

A maior livraria virtual portuguesa, a Wook.pt, lançou uma campanha inédita de promoção da leitura. Até esta quinta-feira, dia 27, um milhão de livros estarão disponíveis em seu site, em momentos promocionais – Momento Wook – a preço zero. Para participar da campanha basta fazer o registro online e estar atento à colocação de um banner no site que informará o início do Momento Wook. Os primeiros 1.000 clientes que encontrarem um dos seus livros preferidos com 100% de desconto e, rapidamente, confirmarem a encomenda, serão os felizardos. Para quem quiser tentar a sorte, a promoção é válida inclusive para o mercado internacional, mas os sortudos arcarão com o custo da postagem.

Fonte: PublishNews

Produção editorial na Colômbia: independentes e monopólio

O colombiano Gustavo Mauricio García, da Icono Editorial, foi o segundo palestrante da mesa Produção Editorial na América do Sul. Dono de editora desde 2004, García trouxe relatos sobre a sua própria experiência dando um panorama geral do mercado editorial na Colômbia, país no qual os editores costumavam ter formação em Literatura ou Filosofia e, atualmente, a formação principal está ligada à Comunicação Social.

Em uma rápida análise sobre as editoras em seu país, o palestrante declarou que é um dos poucos donos colombiano, a maioria dos donos é de origem espanhola, o que apenas fortalece a evasão de divisas e o capital estrangeiro.

Antes de fundar a Icono Editorial, o palestrante trabalhou em um selo de não-ficção da Santillana, que costumava ter em seu catálogo muitos temas polêmicos, o que garantia um bom mercado. Em um segundo momento, no entanto, por outras questões, parou-se de fazer críticas duras ao governo. Para não se submeter a este tipo de censura, García criou sua própria editora.

Superadas as dificuldades de abrir um negócio na Colômbia, o editor surpreendeu-se ao constatar que os autores continuavam preferindo as grandes editoras. Conseguiu, no entanto, após um tempo lançar o primeiro sucesso da Icono: um livro contendo frases politicamente incorretas. Ressalta ainda que sucesso no país é a venda de 2000 exemplares. Ainda destas primeiras experiências, o editor contou um fato curioso sobre a pouca venda de livros no Festival de Poesia de Medellín, o maior do mundo, constatando que “não há mercado para a compra de poesia, mas há mercado para ouvir poesia”.
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Produção Editorial na Argentina: editoras independentes

Na primeira palestra sobre “Produção editorial na América do Sul”, Damián Tabarovsky, da Interzona Editorial, inicialmente contextualizou o momento político-econômico da Argentina, falando, sobretudo, das privatizações e da época do “um pra um” (quando o peso equivalia ao dólar). Tal situação, segundo o palestrante, gerou uma invasão de importações e dificultou que as empresas argentinas exportassem seus produtos. Foi este também o momento da chegada das grandes multinacionais ao país, e no meio editorial não foi diferente: as grandes editoras espanholas, na década de 1990, iniciaram um processo de concentração através da compra das pequenas editoras latino-americanas.

Antes de dar prosseguimento à palestra, Tabarovsky deixou claro que não faz do debate uma lógica binária, na qual as grandes editoras seriam más e as pequenas, boas. Ele mesmo, como autor, publica pela Random House. No entanto, há uma série de críticas às conseqüências da invasão editorial pelos espanhóis: a questão da língua e o conteúdo dos livros. As traduções apresentavam um espanhol no qual o povo não se reconhecia, bem diferentes da diversidade lingüística própria dos argentinos. Houve também o fenômeno da “literatura de esquerda”, assim definida por Tabarovsky, que consistia em escritores com um conteúdo esquerdista e crítico, mas que seguiam os cânones do mercado para vender. Alguns destes escritores eram apenas autores com toque de cultura querendo emplacar bestsellers, como definiu o palestrante.

Da mesma forma que este quadro político-econômico possibilitou a chegada das grandes editoras, a crise do modelo “um pra um”, que estoura em 2001, representa um novo momento para o mercado editorial da Argentina. As grandes editoras, que até aquele momento vendiam seus livros como se estivessem nos Estados Unidos, tiveram que encarar a realidade do câmbio de três/quatro pesos para um dólar, o que gerou uma fragilidade destas grandes editoras. Por outro lado, caiu o custo de produção do livro e os nacionais passaram a ser muito mais competitivos no mercado. Esta nova realidade possibilitou o surgimento das editoras independentes, que ganharam força com o despertar de um sentimento cultural muito forte em meio à crise e trouxeram um dinamismo nunca antes visto no país.
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