Mercado editorial tem momento de vitalidade

Apesar de ter sido publicada no jornal Valor Econômico de 27/7/2010, vale a pena citar aqui a matéria reproduzida no site do Observatório da Imprensa. http://migre.me/1OoqI

Anúncios

Ter ou não ser?

Senhor, se quiser gastar comigo palavra por palavra, o deixarei falido.
William Shakespeare em Dois cavalheiros de Verona
——————-
 

A Nova Aguilar está prestes a finalizar as edições da obra completa de Shakespeare. A Agir, numa outra edição caprichada em formato de caderno publicou recentemente a obra do mestre do teatro inglês. Essa coletânea em três volumes da Nova Aguilar tem um bom apêndice, a tradução de Bárbara Heliodora. Os dois volumes já lançados podem ser comprados no mercado por R$ 350,00.

A editora ainda reuniu obras de grande mestres da literatura mundial. Experimente adiquirir a obra reunida de Machado de Assis, em quatro volumes que sai por R$ 650,00. Essas você não põe na estante, deixa ali logo na mesinha de centro. Obra completa de José Lins do Rego, R$ 410,00. Se quiseres mais erudição, quatro volumes de Dostoiévski por R$ 600,00, ou a ficção completa de Guimarães Rosa em dois volumes por R$ 390,00. Leon Tolstoi organizado em três volumes a R$ 500,00. Ter Camões sai mais em conta, R$ 170,00 e o deleite do portuga está garantido para muitos além mar.

Abrace Olavo Bilac em R$ 210,00. Edgar Allan Poe a R$ 190,00. O grande Lima Barreto está inteirinho a R$ 290,00. Obra completa do bahiano Castro Alves a R$ 180,00. O brilhante asqueroso Augusto dos Anjos R$ 130,00. Poesia completa de Mário Quintana está a mãos por R$ 230,00.  A poesia e prosa de Charles Baudelaire está a R$ 220,00; quase o mesmo que ter Ferreira Gullar e seus versos a R$ 230,00. Podes ter mil encontros marcados com Fernando Sabino em dois volumes de R$ 400,00. Entre muitos outros, e tantos esgotados como o de Vinícius de Moraes.

A Nova Aguilar investe no que preconceituosamente chamamos de alta cultura, ter um desses é uma declaração de amor ao autor, visto o tempo que será despendido, visto as economias nem sempre muito abundantes. Sem comentar que reunir obras completas é um trabalho de cão, a revisão, adequação, armar um projeto gráfico para pequenas bíblias tipográficas. O custo de produção é inestimável, e igualmente é  o apreço de ver algo dessa magnitude.

Boas livrarias, bons momentos

livrarias

A Ateliê Editorial lança o Pequeno Guia Histórico das Livrarias Brasileiras, contando as histórias destes estabelecimentos charmosos, que adoramos tanto, que alguns chamam indelicadamente de ponto-de-venda.

Uma livraria é boa para toda praça, apesar de sabermos que em se tratando de cidades do interior, possuir livraria é um luxo. Porém, nas nossas grandes cidades esses espaços marcaram, marcam e marcarão o quotidiano de milhares de brasileiros até onde a tecnologia permitir.

Esse é mais um título que a editora lança especialmente tendo em vista as questões livreiras, para nós de produção editorial, honras à Ateliê Editorial.

 

Mais livros em: http://www.atelie.com.br/loja/pagina.php?categ=ct6&pags=3

 

Quem já viu um vendedor porta a porta?

Confesso que ouvi um tanto descrente em uma das aulas de PE que a venda porta a porta era o terceiro maior canal de vendas de livros no país. É que nunca vi um desses vendedores, e olha que eu moro numa casa de beira de rua, num bairro da zona norte do Rio, ou seja: segundo as estatísticas, eu seria um alvo potencial desse tipo de comércio. Mas nunca ninguém bateu na porta da minha casa me oferecendo nenhuma enciclopédia ou coleção de livrinhos infantis. Porém esta matéria da TV Cultura mostra que eles existem sim, e são fundamentais para a difusão da leitura em locais que não possuem livrarias próximas.

(Fonte: ABDL)

A Editora Phaidon compra “Cahiers du Cinéma”

cahierducinemaUma editora de livros de arte, a Phaidon Press, comprou a famosa revista Cahiers du Cinéma da Société Editrice du Monde (do jornal “Le Monde”). A notícia é da revista britânica The Bookseller.

Richard Schlagman, proprietário da Phaidon, é citado dizendo: “Estou deliciado por ter tomado conta deste venerável título. A revista tem uma história extraordinária, embora em anos mais recentes se tenha debatido com problemas. Estou determinado a fazer com que os Cahiers du Cinéma voltem a ter papel central no mundo do cinema e voltem a ser indispensáveis para os seus participantes e aspirantes.”

David Guiraud, diretor do Le Monde, está convencido que a Phaidon vai continuar a desenvolver os Cahiers du Cinéma no “total respeito pela história e valores desta mítica revista.” A revista foi fundada em 1951, ali se consagraram grandes nomes da sétima arte como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Rivette e os outros que fariam a “nouvelle vague”.

Fonte: The Bookseller

Filmes “literários”: qual será o próximo roteiro adaptado?

marleySe neste ano você foi ao cinema, deve ter percebido que os últimos filmes em destaque nos meses de janeiro e fevereiro são praticamente todos baseados em livros bem-sucedidos no mercado editorial. Nos últimos anos, a quantidade de filmes indicados ao Oscar, cujo roteiro foi adaptado ou inspirado em livros, é cada vez maior.

Na lista de 2009 estão O Leitor (ed. Record), romance do alemão Bernhard Schlink, publicado em 1995, cuja adaptação cinematográfica concorre a cinco estatuetas; o conto de Scott Fitzgerald que inspirou O Curioso Caso de Benjamin Button, que faz parte da coletânea Seis Contos da Era do Jazz e Outras Histórias (ed. José Olympio) indicado em 13 categorias; Quem Quer Ser um Milionário?, candidato a dez estatuetas e baseado em Sua Resposta Vale um Bilhão (ed. Companhia das Letras), de Vikas Swarup, e Foi Apenas um Sonho, baseado no livro homônimo de Richard Yates (ed. Objetiva/Alfaguara) e indicado a três Oscars.

E o sucesso nas bilheterias dá retorno também nas livrarias. Mesmo sem a indicação ao prêmio máximo de Hollywood, outros longas-metragens também causam repercussão no meio editorial após serem retratados pela sétima arte. Como exemplo, o livro O Menino do Pijama Listrado de John Boyne (ed. Companhia das Letras) teve as vendas ampliadas em 50 % no grupo Livrarias Curitiba após a estréia nos cinemas.

O mesmo vale para o título Gomorra (ed. Bertrand Brasil) do autor Roberto Saviano. A obra e o filme foram lançados em 2008, porém o livro vendeu mais de mil unidades logo após as primeiras exibições no país. Já o filme Marley & Eu fez as vendas do livro – (ed. Prestigio) de John Grogan, lançado em 2006 – dobrarem.

Mas nenhum desses casos foi tão impactante quanto o mais recente fenômeno adolescente: Crepúsculo de Stephenie Meyer (ed. Intrínseca). Logo após a estréia nos cinemas em 2008, o grupo vendeu mais de dez mil exemplares em apenas um mês, segundo Leoni Cristina Pedri, diretora de marketing do grupo Livrarias Curitiba, que tem 16 lojas em quatro estados. Aliás, é impressionante como este livro é amado até pelo público adulto. (Conheço pessoas que nunca se interessaram por literatura que estão lendo Crepúsculo!)

O mesmo aconteceu com Meu Nome Não é Johnny (ed. Record) de Guilherme Fiúza, que antes do filme havia vendido sete mil exemplares em todo Brasil, mas após a estréia da adaptação chegou a 70 mil unidades no país. Já o  O Código Da Vinci (ed. Sextante) foi um fracasso em comparação ao livro. E ainda vem por aí Anjos e Demônios!

Sem falar nas sobrecapas horrorosas! O que fizeram com a linda capa de Ensaio sobre a cegueira (Cia das Letras)? Sério, ninguém se torna fã de José Saramago por causa do filme!

Será que falta inspiração em Hollywood? A sétima arte é capaz de viver por ela mesma como provam seus grandes diretores. Há outros pontos que podem fazer de um filme uma obra interessante além da garantia de bilheteria do público leitor. Aliás, será que é o público leitor que vai assistir a adaptação de um enredo conhecido nas telas? Embora haja excelentes adaptações (como Fahrenheit 451), essa tendência  de “pegar carona” no sucesso alheio já está mais que irritando. O que teremos depois de Marley & Eu? O que a baleia Shamu me ensinou sobre a vida, amor e casamento?

Leia o livro! Veja aqui 23 adaptações sofríveis!