O preço do aluno brasileiro

Esse é o tipo de noticia que já nasce velha. Segundo o UOL Educação, “O Brasil ficou em último lugar em uma tabela sobre investimentos por aluno em 33 países, elaborada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico”.

Isso já foi debatido, mas não custa lembrar que não adianta o país ter dimensões continentais e crescimento populacional de fazer brilhar os olhos dos grandes grupos editoriais se as pessoas não adquirirem na infância e na juventude o gosto pela leitura.

Os profissionais do mercado editorial são responsáveis pela qualidade dos livros que colorem as estantes das livrarias e a sociedade – da qual fazemos parte também – deve tomar para si a responsabilidade de formar os leitores que irão povoar as livrarias e fazer valer nosso trabalho.

O investimento do país em cada estudante brasileiro é de, em média, R$ 2.500 por ano. Se pensarmos que o governo é internacionalmente conhecido por movimentar bilhões com a compra de livros didáticos, não precisa de muita ciência para saber que essa conta só fecha se os salários dos professores forem esmagados, se a grande novidade em infra-estrutura escolar ainda forem os CIEPs, que vez por outra recebem uma reforma ou ampliação justa e bem alardeada.

Leia mais sobre este assunto, aliás, leia muito e pense mais ainda para que daqui a quatro anos tenhamos alguma novidade para vocês.

Fonte: UOL Educação

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Divagação

Enquanto Stendhal escrevia o primeiro parágrafo de “A cartuxa de Parma”, é inegável que contribuía para a literatura francesa e mundial. Estaria, ainda assim, Stendhal prestando um desserviço à formação de leitores um século após a sua morte?
A pilhéria com este clássico deve-se ao primeiro parágrafo ter inspirado a criação do lead jornalístico, que chega aos jornais brasileiros na década de 1950 pondo fim ao jornalismo romântico nos anos subsequentes. Responder no primeiro parágrados às perguntas “O que? Quem? Quando? Onde ? Como? Por que?” era o início da formatação dos textos para jornais.

Assim surgiram manuais de redação e estilo prezando pela clareza, concisão e simplicidade. Talvez tenham sido levados a sério demais. Qual não é o desespero de um estudante ao escrever uma notícia nos padrões pela primeira vez. Escrever para a televisão é quase voltar aos primórdios da comunicação.

Hipérboles à parte, a questão é: o quanto esta simplicidade em excesso vicia um leitor? O analfabeto funcional é capaz de compreender frases curtas, simples e diretas, muito semelhantes às ensinadas em diversos manuais. Os jornais apenas subestimam seus leitores ou realmente nivelam por baixo para alcançar um maior público? Há algum nexo nestas questões ou são puro devaneios?

Estaria de fato o jornalismo contribuindo para o analfabetismo funcional? Uma questão muito complexa, uma futura monografia quem sabe?

Foto de leoberaldo