90 clássicos em quadrinhos

90classic1Se você passou anos treinando sua cara de intelectual diante do espelho para usá-la quando alguém menciona Kerouac, Prost ou Sartre, este livro é ainda melhor que o Como falar dos livros que não lemos . 90 Classic Books for People in a Hurry consegue a façanha de resumir clássicos inteiros como Em busca do Tempo perdido (vol. 1, 2, 3, etc) em apenas uma página (quadro quadrinhos!). Como dizem, talvez este livro possa salvar sua “alma literária”! E para quem não quer comprar na Amazon, há rumores de que uma editora brasileira já comprou os direitos de publicação.

Ilustrado por Henrik Lange, este livro é perfeito para os amantes de quadrinhos e de literatura.

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Clássicos à mão dos leitores

Com o aval do governador Sergio Cabral, a Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro vai publicar, a partir do ano que vem, clássicos da literatura brasileira para serem distribuídos gratuitamente à população. Cada livro será produzido em grandes tiragens, em torno de 100 mil exemplares, que serão encaminhados, sem custo, às mãos dos leitores.

Além de obras literárias, a Imprensa Oficial também deverá colaborar com a Secretaria Estadual de Educação, publicando títulos de livros didáticos para serem empregados em sala de aula.

“Vamos inundar o Rio de Janeiro de livros”,  disse o presidente da Imprensa Oficial, Haroldo Zager, durante a abertura da 40ª Reunião da Associação Brasileira de Imprensas Oficiais (ABIO).

A distribuição de livros já vem sendo uma preocupação da Imprensa Oficial fluminense, cujo estande se tornou o único a oferecer seus títulos gratuitamente ao público durante a última Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Na ocasião, foram doados cerca de 16 mil exemplares de livros do catálogo da empresa, além de dois novos lançamentos editados especialmente para o evento: Rio de Janeiro no tempo dos Vice-Reis, de Luís Edmundo, e Alma encantadora das ruas, de João do Rio.

Fonte: Jornal do Brasil

Ao vencedor, as batatas

Publicar é, naturalmente, um risco. Pudesse qualquer pessoa garantir com precisão as vendas de determinado título, em especial as apostas das editoras, a cadeira à direita do presidente teria dono permanente. Apesar de arriscado, planejar a publicação de livros não é tatear no escuro. A sorte, como diriam os campeões, é resultado de competência e preparo. Surpreende que profissionais do livro demonstrem algum espanto com o volume das vendas de livros sobre a vinda da Família Real, quando desde 2007 havia todo um planejamento da Prefeitura do Rio para celebrar os 200 anos deste fato histórico. Desfiles de Escolas de Samba, exposições, peças e uma série de outros eventos, públicos ou privados, já constavam no calendário do município. Ninguém, evidentemente, poderia afirmar que livros sobre a Corte de D. João seriam os best sellers de 2008, porém, a venda destes livros era o esperado, não a zebra do mercado, por assim dizer.
Por mais evidente que fosse, não estar atento aos livros sobre a Família Real é um pecado leve perto de esquecer o centenário da morte de Machado de Assis. E neste ponto houve um apagão geral nos profissionais do livro, ao menos no Rio de Janeiro. Não que seja difícil encontrar Machado nas livrarias, mas é quase impossível achar títulos específicos. Inegável que 2008 nos próximos 31 anos (quando será comemorado o bicentenário do seu nascimento) é o momento mais oportuno para vender as obras machadianas. O ideal seria aproveirar para vender não apenas os mais conhecidos Dom Casmurro, Memórias Póstumas etc., mas ampliar a divulgação das outras obras do autor. Aqui se encontra o erro básico das livrarias cariocas (por acaso, na cidade onde se passa grande parte das narrativas): tarefa árdua encontrar nas livrarias da cidade o romance Esaú e Jacó, beira a impossibilidade comprar uma boa edição e, de fato, é impossível achar uma edição recente ou comemorativa (ao que parece, as últimas edições datam de 1998). E pensar que nem é preciso pagar direitos autorais e qualquer editora poderia ter publicado.

Aos desolados leitores que em vão procuraram Esaú e Jacó, uma visita ao Domínio Público pode ser bastante agradável, dentre tantas obras de Machado e de outros escritores há três fontes para baixar gratuitamente o livro citado: Biblioteca Nacional, Universidade da Amazônia e Biblioteca Virtual do Estudante/USP.

Aos livreiros, um pouco mais de atenção. Ao Domínio Púlico, muito obrigado. Aos demais, boa leitura.
Ao vencedor, as batatas!

Machado de Assis ganha releitura de contos

Sai mais um livro do forno homenageando os cem anos de morte de Machado de Assis. O livro “Capitu mandou flores” (Geração Editorial) reúne dez das melhores histórias do escritor, recriadas por 40 autores brasileiros, e cinco ensaios sobre a obra do escritor. Quem organizou foi Rinaldo de Fernandes, com textos de Antonio Carlos Secchin, Godofredo de Oliveira Neto, Luiz Costa Lima, Pedro Lyra e Silviano Santiago, entre outros. O lançamento será na próxima quinta, 21 de agosto, às 17 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Os atores Marina Vianna e Leonardo Netto farão leitura dramatizada de contos do autor. Pode ser interessante dar uma conferida!

A três por dois*

Apenas para iniciar o debate (com pretensões de desenvolvê-lo em conjunto em outro momento), aumentar as vendas de livro é uma preocupação constante; pouco se fala, no entanto, em ampliar o número de leitores. Embora pareça uma relação lógica, nem sempre assim é tratada. Freqüentes são as soluções que apontam para as vendas governamentais. Compra o governo. E quem lê? Objetivamos vender material? Ou nos interessa sobretudo o que há de mais imaterial na produção de livros: as idéias, os conceitos, as histórias e toda a relação de construção de fantasia e/ou conhecimento no contato do leitor?

Sem dúvidas, o fascínio pelas letras que podem contar histórias inicia-se justamente no momento desta descoberta: a infância. Reside aqui o enorme desafio de conquistar os novos leitores, contudo é muito usual que os livros acabem virando mais traumas que boas recordações. E quem haveria de sofrer mais com isto tudo? Homero, Guimarães Rosa, Eça de Queiroz, Mark Twain e companhia. “Clássico é chato” é uma heresia tão corriqueira que já nem mais soa estranha. Parece que a metodologia das escolas brasileiras – obrigando os alunos a ler para avaliações – não tem dado resultados satisfatórios.

Para falar sobre leitura na infância, poucas pessoas teriam tanta propriedade no Brasil quanto Ana Maria Machado. No livro Como e por que ler os clássicos universais desde cedo (Objetiva, R$32), a autora aborda essa questão focando nos clássicos. Longe, porém, de ser um estudo cansativo, a leitura deste livro acaba tomando um novo viés ao criar uma vontade de mergulhar nas obras ali citadas. Fica a recomendação também de outro volume da série, Como e por que ler a literatura infantil brasileira (Regina Zilberman, Objetiva, R$ 32)

Com tantos títulos bons nestes dois volumes, fica difícil saber por onde começar. Uma das opções mais tentadoras é Moby Dick de Herman Melville na edição luxuosa da Cosac Naify (de R$64 a R$99). O projeto caprichado aumenta ainda mais o prazer desta leitura. E, não bastassem a recomendação e a excelente edição, o site SparkNotes (em inglês) contém um excelente guia para a leitura deste clássico e de outras obras (em especial as literaturas americana e inglesa).

E tem início a discussão!

*Desordenadamente