dica: tipografia Cosac Naify

Esta é mais para quem está começando a formar a sua biblioteca de design editorial: ter os livros de Robert Bringhust, Timothy Samara e Ellen Lupton são indispensáveis.

Na loja virtual no site  da editora Cosac Naify há kits com esses e outros livros com descontos de 30%. Vale a pena dar uma olhada também no outlet com 50% de abatimento.

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Cosac Naify se destaca em 2008

Segundo o jornal O Estado de São Paulo (30/12/2008), 2008 foi um ano dourado para a editora Cosac Naify. E não é exagero. Além de editar o Nobel de Literatura do ano, Jean-Marie Le Clézio , a editora venceu três categorias do Prêmio Fernando Pini de Excelência Gráfica. Em “livro de texto”, com Moby Dick. Em “livro infantil”, com Lampião e Lancelote. E uma das Coleções de Moda Brasileira venceu na categoria “livro ilustrado”, informa a coluna Direto da fonte.

A Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) elegeu, no dia 8 de dezembro, os melhores do ano em dez categorias. Dois livros editados pela Cosac Naify foram premiados.  Em Literatura, O santo sujo – a vida de Jayme Ovalle, escrito pelo jornalista Humberto Werneck, foi eleito a melhor biografia do ano. Na mesma categoria, O livro amarelo do Terminal, de Vanessa Barbara, conquistou o prêmio de melhor livro-reportagem com uma original abordagem da rodoviária do Tietê ao retratar as mais diversas histórias de vida que ali se cruzam, além de uma criteriosa investigação jornalística sobre sua construção. Já O Fazedor de Velhos, de Rodrigo Lacerda levou o  Prêmio Glória Pondé de Literatura Infantil e Juvenil, da Fundação Biblioteca Nacional.

O sr. Raposo adora livros!

raposocapaEssencial para a biblioteca de Produção Editorial, o livro O sr. Raposo adora livros! é o presente ideal para as crianças neste natal. O personagem principal é uma raposa que devora livros, literalmente, temperando-os com sal e pimenta para saboreá-los melhor. O Senhor Raposo é tão faminto que chegou a mastigar obras inteiras de uma biblioteca e tentou roubar a livraria da esquina. Foi preso e proibido e ler. Na prisão, teve que se contentar em comer folhetos, jornais, revistas, mas não era a mesma coisa. Substituir a boa leitura por folhetos de anunciantes rendeu desarranjos intestinais no senhor Raposo. Sem nenhum livrinho apetitoso para comer, senhor Raposo resolve escrever sua própria história. Um final inusitado e divertido surpreende o leitor.

De autoria e traço da alemã Franziska Biermann, o livro fala sobre a importância e o prazer da leitura para jovens leitores, como ler precisa ser uma prática tão essencial quanto se alimentar. Sem didatismo exagerado, as ilustrações dão ritmo ao texto e deixam a história ainda mais engraçada.

Título: O sr. Raposo adora Livros!
Autor: Franziska Biermann (Tradução de Christine Röhrig)
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 66 páginas; 29 ilustrações
Encadernação: Brochura
Preço: R$ 33,00 preço normal e R$ 24,75 aqui.

Cadernos de Tipografia, nº 1 ao 12

Enquanto realizava um search no google à procura da conveniência (ou não!) do  termo “revisão tipográfica” em uma ficha de créditos, encontrei a bacaníssima revista lusitana Cadernos de Tipografia, publicação de caráter acadêmico redigida e composta quase que inteiramente pelo typeface designer, pedagogo, e doutor em Física Nuclear  Paulo Heitlinger. O periódico possui várias reflexões sobre o estudo da tipografia em Portugal, indo desde ensaios históricos, a verdadeiros manifestos de cunho personalista, como o inflamado libelo anti-Helvetica escrito pelo próprio Heitlinger no nº 1.

Embora a tradição tipográfica portuguesa seja bem mais extensa que a brasileira, iniciada, ao que parece, apenas com a chegada da família real portuguesa ao Brasil (1808), é interessante observar a escassez de publicações sobre o tema em Portugal. Heitlinger, autor ele próprio de um livro técnico intitulado Tipografia, lamenta, por exemplo, a inexistência da excelente tradução de Elementos do Estilo Tipográfico (Cosac Naify), de Robert Brignhurst, nas prateleiras lusitanas. Aliás, a edição brasileira de Elementos faz parte de um esforço recente da própria Cosac Naify em levar ao público livros sobre tipografia e design, tendo essa edição incluído nomes como Alexandre Wollner, André Stolarski, Chico Homem de Melo, Rafael Cardoso e Raul Loureiro em seu conselho editorial. O catálogo ainda é pequeno, mas possui títulos representativos como Pensar com Tipos e Grid: Construção e Desconstrução, de Ellen Lupton e Timothy Samara, livros que quem fez Layout Editorial com a prof. Ana Sofia já deve estar familiarizado. A responsável pela coordenação editorial desses títulos é a designer paulistana Elaine Ramos, que assume, desde 2005, o posto de diretora de arte da casa editorial. E de pensar que até bem pouco tempo atrás nem mesmo essa bibliografia básica da Cosac estava disponível em português…

Iniciativas como a de Paulo Heitlinger e sua Cadernos de Tipografia são realmente louváveis. Para nós, brasileiros, é realmente encantador emergir no universo do estudo da tipografia de um país tão próximo e tão estrangeiro quanto Portugal, ainda mais quando contamos com tão pouco material sobre a história da tipografia lusitana em geral. Vale lembrar que o Brasil herda, em um primeiro momento, toda essa tradição portuguesa de editoração,  inovando apenas no comecinho do séc. XX com o amplo uso de capas ilustradas, seguindo a escola anglo-americana, em revistas, períodicos e, enfim!, livros. Pra saber mais, vale a pena ler o ensaio de Rafael Cardoso em O Design brasileiro antes do Design ( org. Rafael Cardoso, Cosac Naify, 2005) e o artigo de Chico Homem de Melo sobre capas de livro em O Design Gráfico brasileiro dos anos 60 (org. Chico Homem de Melo, Cosac Naify, 2005).

Infelizmente, ao contrário da Cadernos de Tipografia, esses livros não são de graça. Mas foram, sem dúvida, duas das minhas melhores aquisições em 2007, além do delicioso A Forma do Livro, reunião de ensaios escritos nas décadas de 1950-60 por Jan Tschichold, e Aldo Manuzio: Impressor, Tipógrafo e Livreiro, biografia comentada do catalão Enric Satué sobre o célebre editor multi-funcional veneziano, ambos publicados na ainda pequenina série Artes do Livro pela  Ateliê Editorial. Vale a pena se ferrar um pouquinho e comprar esses livros, principalmente se você gostar muito de tipografia, e queira saber como as coisas funcionam para além do processo intuitivo. Se é que tem alguma coisa “intuitiva” em um livro realmente bonito.

Creio que Paulo Heitlinger seria um ótimo nome para a mesa internacional do próximo Editor em Ação. Afinal, parece que Tipografia é uma publicação pioneira em Portugal. É ver pra crer, porém. No mais, resta fazer um pedido à Vivian Andreozzi, que está em Lisboa, para investir uns 30 euros na obra deste senhor. Com certeza, será uma aquisição importantíssima para nossa biblioteca nerd em design editorial. 🙂

Qual o segredo do charme e sucesso da Cosac Naify?

Fundada em 1996 por duas famílias árabes, a Cosac e a Naify, que resolveram investir em clássicos de arte no Brasil, a Cosac Naify não é uma editora de grande nem pequeno porte, é intermediária, e vem ganhando destaque entre todas as outras por se comportar completamente diferente. Desde 2001 que novas linhas editoriais passaram a oferecer ao leitor um repertório de obras clássicas da literatura universal, de autores contemporâneos e da literatura brasileira, além de ensaios de referência em filosofia, antropologia e crítica literária. A ampliação do catálogo permitiu  a produção infanto-juvenil e, em 2003, rendeu-lhe o Prêmio Jabuti de Livro do Ano, com o título Bichos que existem e bichos que não existem, de Arthur Nestrovski. No entanto, O capitão de cueca, seu mais famoso título do catálogo infantil, é quem fecha as contas do mês, segundo Paulo Werneck, editor da Cosac de São Paulo, no quarto dia do V Editor em Ação.

Muito foi falado sobre editoras independentes na América Latina. Paulo Werneck  considera sua editora independente, ainda que pequenas e grandes editoras não a reconheçam como tal. “A Cosac Naify é uma editora independente porque não está presa à lógica dos grandes conglomerados nacionais.” Mas o que significa, na prática, seguir a lógica internacional? Na contra-mão, a Cosac não segue um padrão imposto nem se submete ao mercado internacional, porque sua lógica principal não visa o lucro, o que já é uma extravagância. Fora do Brasil, o negócio do livro tem se tornado muito lucrativo e próspero, o que, inevitavelmente, proporciona grande lucro às suas empresas. Com o mercado cada vez mais profissionalizado, adiantamentos altíssimos ao padrão internacional e concentração de redes de livraria já são uma realidade. Dessa forma, “fica difícil uma editora pequena fechar contrato com um grande nome e viabilizar comercialmente seus livros”, conclui. Mesmo fora da política de negociação com as editoras internacionais, isso não a impede de interagir com outras editoras e criar uma rede cultural e reconhecer a qualidade dos livros de editoras como a Cia das Letras, por exemplo.

Werneck acredita que o sucesso da Cosac Naify é, em grande parte, devido a um trabalho auto-centrado. Ele fez questão de deixar bem claro o que a faz diferente das outras editoras: o conceito do seu projeto baseia-se na união entre a qualidade do texto e a ousadia do design. Desde sua origem houve uma aposta nos clássicos, e foi necessário que esses dois elementos ficassem bem amarrados, criando-se um padrão próprio e destacado. A editora “começou com o propósito de editar livros de arte de autores relevantes ainda não publicados aqui no Brasil”.  Com uma cara própria, os livros Cosac Naify são facilmente reconhecíveis em qualquer livraria. Quando que uma editora publicaria um livro sem o seu logotipo na capa, contrariando o marketing editorial? Além do primor gráfico, a editora paulista gosta de quebrar padrões utilizando maciçamente a capa-dura em seus livros, um pouco “fora de moda” atualmente. “O livro é feito para durar, e às vezes, a conceituação do livro pede uma capa-dura.”

Para viabilizar esse projeto cultural, os editores basearam-se em sua própria experiência e biblioteca, publicando livros que gostariam de ver reeditados. Como há uma integração da equipe, a idéia do livro que se quer acaba levando mais tempo para ganhar forma. E o resultado é sempre satisfatório: livros atraentes, diferentes, com design ousado e qualidade no acabamento. Atualmente, Werneck está trabalhando no projeto de um livro de crônicas de Manuel Bandeira. Aficcionado pelo autor, o editor pretende dar ênfase a elementos contextuais que traduzem a cultura de um Rio de Janeiro que já não existe mais, revelando traços urbanísticos da cidade. Perguntado pela importância da internet no trabalho editorial, Werneck respondeu que a utiliza para fazer pesquisas, divulgação, venda e conhecer linguagens diferentes. Defendeu o livro impresso como a máquina mais perfeita para a leitura, tendo a internet como aliada para se alimentar e se fortalecer.

Taynée Mendes e Vânia Garcia

Centenário de Cartier-Bresson

Na esteira dos duzentos anos de morte de Machado, destacamos o centenário de Henri Cartier-Bresson. O fotógrafo mais importante do século XX completaria hoje cem anos. Considerado por muitos o pai do fotojornalismo (ao lado de Robert Capa), o artista imortalizado pelo seu “momento decisivo” – do livro The Decisive Moment, tradução para o inglês de Images à la Sauvette – receberá as devidas homenagens na França, onde se nasceu e se notabilizou. Estão previstas exposições e a publicação um livro dedicado ao autor.

Ainda não vi nenhum movimento das editoras brasileiras no sentido de publicar as obras do autor, o que é uma lástima. A Cosac Naify já publicou Robert Capa. Será que ninguém quer apostar em Bresson?

Enquanto não lançam nada do mestre, fiquem com um pouco da arte de Cartier-Bresson