Gráficas têm custo milionário para implantar nova ortografia

Onze dias após a mudança na forma de escrever a Língua Portuguesa, o mercado editorial está dividido, muitas empresas já aderiram à nova norma e outras têm como estratégia utilizar o período de três anos para adaptação. Daquelas que já iniciaram as mudanças estão as editoras de dicionários, segundo a International Paper (IP), as encomendas para esse tipo de publicação aumentaram. Segundo estimativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL), a conta da adequação, considerando apenas a revisão de conteúdo e a rediagramação pode chegar a R$ 60 milhões. Um valor que corresponde a aproximadamente 4,29% do faturamento do setor que é de cerca de R$ 1,4 bi, verificado no ano passado.

Desse valor, cerca de 50% corresponde ao que o governo federal compra para o programa de distribuição do livro didático. Em 2008, o governo encomendou mais de 108 milhões de livros que custaram quase R$ 720 milhões, os números estão disponíveis no site da Fundação Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educação e Cultura (MEC). De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, os livros desse lote ainda não precisam atender à norma porque seu prazo de validade, que é de três anos, terminará na mesma época em que a regra passará a ser obrigatória. A partir do ano que vem até mesmo as compras governamentais deverão seguir a regra.

A outra metade do mercado é a que apresenta métodos diferentes para minimizar os problemas que a adequação do conteúdo dos cerca de 26 mil títulos que estão em segunda reimpressão poderão causar. Segundo a presidente da CBL, Rosely Boschini, essa exigência de investimentos que não inclui um eventual descarte de estoques, chegou em um momento ruim, em que a crise apertou o cinto das editoras.

“O governo já desenvolve um trabalho maravilhoso no campo dos didáticos”, disse a presidente. “Mesmo assim, o mercado editorial ainda carece de políticas públicas para incentivar a leitura no país”, cobrou Boschini. Segundo levantamento da entidade, há uma concentração das livrarias em capitais, cerca de 80% do total de menos de 3 mil. No Brasil, somente o eixo Rio-SP atende de forma adequada a população, o ideal são 10 mil pessoas por loja, hoje a média é nove vezes maior.

 

Estratégia

Entre as empresas que iniciaram a adequação de seus livros está a WMF, que surgiu em janeiro, resultado da divisão da Editora Martins Fontes. A empresa, que lançou 100 novos títulos em 2009, diz que apenas um não foi revisado por estar com as páginas internas todas impressas. O restante está de acordo. Contudo, os outros 800 títulos, herança da divisão do catálogo da antiga estrutura, deverão ser adequados no prazo de três anos, com a reedição. A outra empresa resultante da divisão, a Selo Martins, afirmou por meio de sua assessoria que irá começar a se adequar às novas regras em fevereiro, após a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).

O setor de dicionários é um dos mais afetados. Segundo o gerente-geral de negócios para papel de impressão e conversão da IP, Antônio Gimenez, a empresa sentiu um aumento na demanda de vários clientes por papel para a impressão desses produtos. Essa procura ocorreu a partir do início do segundo semestre. Segundo Alfried Plöger, da Melhoramentos e presidente da Abigraf, foi nessa época que a empresa passou a mudar seus produtos. “Procuramos, assim como diversas empresas, escoar os estoques para chegarmos em janeiro com produtos atualizados”, explicou. “Agora, sempre há problemas, alguns livros cuja venda é mais lenta, como os de arte, de preço mais elevado, deverá ter uma parte da tiragem descartada”, revelou.

Na Companhia das Letras o custo da revisão já tem um número: é de R$ 4,5 milhões. “Serão gastos, em média, R$ 3 mil por título, sendo que temos cerca de 1,5 mil livros no catálogo”, revelou o o diretor financeiro, Sérgio Windholz. Porém, ele acredita que esse acordo abrirá a possibilidade de expandir a atuação do livro brasileiro aos países do CPLP. Essa é a mesma expectativa de Boschini, da CBL, que vislumbra um mercado estimado em, ao menos, 240 milhões de pessoas.

Fonte: DCI

Crise afeta mercado editorial (de revistas)

Segundo Época Negócios, a crise financeira mundial já afeta o mercado editorial dos EUA, principalmente o jornalismo impresso. Por enquanto, nada indica que o livro também irá pelo mesmo caminho.

Parece que o ano de 2008 não foi bom para o mercado editorial de revistas. As grandes revistas norte-americanas, mundialmente conhecidas pela força de suas marcas, não escaparam do declínio econômico e amargam resultados ruins. Nichos até então inabalados, como as publicações voltadas à moda e luxo, foram atingidas. Até o final do terceiro trimestre, os anúncios caíram 10% em todo este setor, segundo dados da Publishers Information Bureau.

O mercado editorial norte-americano parecia intacto frente a crise, pelo menos até este ano. As pesquisas mostram que a indústria farmacêutica, automobilística, o setor de tecnologia e de beleza reduziram substancialmente suas verbas publicitárias em comparação com 2007. Com a economia em desordem, os anunciantes estão revendo seus orçamentos em todos os meios de comunicação – porém, com veículos impressos eles estão especificamente duros.

Prova disso é a redução dos espaços publicitários. As revistas da potente Condé Nast estão perdendo a espessura e a quantidade de páginas destinadas a publicidade diminui. A Vanity Fair perdeu cerca de 15% de anúncios em relação ao ano anterior. Outros títulos da editora, como a W, Teen Vogue, GQ e Lucky registram perdas de mais de 10%. Ainda segundo Época, a diminuição do número de edições de alguns títulos já foi anunciada pela editora – Portfolio e Mens Vogue. Assim como o cancelamento da tradicional festa de fim de ano.

60ª Feira de Frankfurt é a maior do mercado editorial

Logo da feira e torre do pavilhão de exposições

Logo da feira e torre do pavilhão de exposições

A Feira do Livro de Frankfurt chegou à sua 60ª edição na condição de maior e mais importante ponto de encontro do mercado editorial mundial. Mais de 7 mil editoras de 101 países foram representadas nos pavilhões da cidade alemã entre 15 a 19 de outubro. Elas levaram a Frankfurt em torno de 400 mil títulos, entre publicações em papel e eletrônicas.

Na primeira edição da feira, em 1949, eram pouco mais de 200 expositores, todos eles da Alemanha. Em exposição, estavam cerca de 10 mil livros e a feira, organizada na Igreja Paulskirche, atraiu 14 mil visitantes. Na edição de 2007, foram registrados 283 mil visitantes. Este ano, recorde de público: 5% maior que o ano anterior, incrivelmente não sucumbindo à crise financeira.

A internacionalização da feira começou cedo. Já na edição de 1950 havia em torno de cem editoras estrangeiras em Frankfurt e, em 1953, o número de expositores de fora da Alemanha – exatos 534 – já era maior do que o de editoras alemãs – 524.

Feira internacional

“Desde o seu início que essa feira não é alemã, mas internacional. Ela está por acaso em Frankfurt, mas o setor adotou este lugar, se sente bem aqui. Acho que a tradição colabora para isso”, afirma o diretor da Feira de Frankfurt, Jürgen Boos.

Ele avalia que parte do sucesso da feira está na seleção dos seus temas centrais. “Sempre nos saímos bem no debate de temas. A digitalização do mundo, o confronto entre grandes e pequenas editoras, a situação do mercado editorial. Todos esses assuntos sempre estiveram presentes e jamais alguém se furtou a falar o que pensa”, diz Boos.

Outra iniciativa que se mostrou acertada é a homenagem a um país ou uma região. A América Latina foi a primeira região destacada, em 1976, e o Brasil foi o país-tema em 1994. Este ano a escolha recaiu sobre a Turquia, e, em 2009, será a vez da China.

A Feira de Frankfurt mantém um escritório no país comunista e incentiva as novas editoras privadas chinesas. “Depois da Revolução Cultural, houve uma ruptura cultural na China. Ninguém mais escreveu e a herança cultural se foi. Mas agora há algo novo no país, e por isso precisamos estar presentes. As primeiras editoras independentes estão surgindo, e temos de apoiá-las.”

Livros eletrônicos

O Sony Reader, um dos leitores eletrônicos apresentados na feira

O Sony Reader, um dos leitores eletrônicos apresentados na feira

A presença de escritores renomados é outro ponto forte do evento. Orhan Pamuk,  Prêmio Nobel de Literatura, representou a Turquia. Outro Nobel que circulou pelo evento foi o escritor alemão Günter Grass. Entre os homenageados deste ano, o autor brasileiro de best-sellers Paulo Coelho teve destaque. Ao todo, mais de mil autores participarão da feira – 250 só da Turquia.

Um dos destaques da feira deste ano foi a digitalização do mercado editorial. A Sony apresentou seu Reader, aparelho que permite a leitura dos chamados e-books, ou livros eletrônicos.

Fonte: DW-Word