Os 90 anos da Bauhaus

Formas e cores primárias, ícones da Bauhaus

O nome de maior referência no campo do design completou em abril 90 anos de sua criação. A Bauhaus, escola vanguardista de arquitetura e artes plásticas que funcionou na Alemanha entre 1919 e 1933, revolucionou em muitas maneiras a forma de criação dos objetos e construções pós-Revolução Industrial. Funcionalismo, “a forma segue a função”, “estilo internacional” são termos ligados a história desta instituição e que são repassados neste mini-documentário da Globo News (clique para acessar o vídeo).

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Tipografia em filme: Comic Sans

Depois do documentário da tão amada (e odiada) Helvetica, surge um curta documentário sobre a tão odiada (e amada) Comic Sans. De caráter menos profissional que o filme da fonte suiça, não deixa de ser interessante o trabalho de duas estudantes em demonstrar a banalização da fonte da Microsoft em qualquer tipo de suporte, que, como lembra o seu próprio nome, foi desenhada para se assemelhar a tipografia dos balões das histórias em quadrinhos.

The Grid System

Diz-se que regras foram feitas para serem quebradas. Mas, para tanto, é preciso conhecê-las bem; e, em se tratando de design editorial, o grid é a regra mais elementar, e, portanto, discutida, dentre os princípios tipográficos que regem a organização visual de informações.

Condenado por uns, louvado por outros, o grid tipográfico é um dos princípios organizadores do design gráfico, sendo considerado por muitos o principal alicerce de um sólido projeto editorial. Adotando noções de hamornia e equilíbrio, o grid faz parte de nosso dia-a-dia; basta olhar para a disposição geométrica dos boxes nesse blog para se compreender sua abrangência e sistematização.

Sua construção é uma arte, e sua desconstrução, quando bem pensada, também o é, não sendo possível considerar um projeto mais ou menos ousado como uma peça de design superior à outra, mais tradicional. Entender seu funcionamento é dedicar um olhar mais cuidadoso à história da tipografia ocidental, e, porque não, a própria história da arte em si.

Tendo em mente a importância histórica e prática desse princípio organizador, o site  The Grid System é uma das bases da dados mais completas sobre a estruturação do grid e suas aplicações.

Rigidamente dividido em seções contendo artigos, ferramentas, e textos teóricos, em The Grid System pode-se encontrar informações confiáveis sobre grids “famosos”, como a proporção áurea, até arquivos abertos em indesign com templates de grids, ferramenta bastante útil para quem não gosta de tomar seu tempo com cálculos.

Entender que o bom uso do grid provém de uma escolha projetual, e não consensual, faz de The Grid System um dos mais interessantes sites sobre o tema. É uma boa dica  para quem conhece o livro do Timothy Samara e quer ir um pouco mais além. Recomendo! 😉

Editoração é pop

Recentemente, o portal G1 publicou uma série de reportagens sobre o mercado editorial e a profissão de editor. Embora pouco aprofundadas, as matérias podem dar um panorama geral da profissão – inclusive com slides bacaninhas – principalmente para indecisos vestibulandos e calouros do terceiro período da ECO.

Uma delas é uma mini-entrevista com Ricardo Campos Assis, designer editorial e fundador do Estúdio Negrito. O ex-estudante da ECA/USP foi duas vezes campeão do prêmio Jabuti. Vale dar uma olhada na matéria, principalmente, para quem não conhece seu trabalho.

A matéria sobre o mercado publica alguns dados interessantes, como as expectativas salariais. Estima-se que um profissional do produção editorial ganha hoje R$ 450, em estágios de 4 horas e estágios integrais, R$800. Um recém formado pode ganhar entre R$ 1500 e R$ 2500 e os profissionais em cargos de gerencia, R$ 6.000 a R$ 8.000.

Os links são:
Mercado de trabalho em editoração é bastante amplo

Novas mídias ampliam opções na área de editoração

O bom projeto gráfico torna a comunicação mais eficiente

 

Elementos do estilo tipográfico – versão 3.0

“Se você usar este livro como um guia, sinta-se à vontade para sair da estrada quando quiser. Fique também à vontade para quebrar as regras – quebre-as com beleza, deliberadamente, bem. Esse é um dos fins para os quais elas foram criadas.”

“Na república da tipografia, mesmo o sinal mais humilde e incidental é considerado um cidadão.”

“Tenha consideração até mesmo pelo humilde hífen”

“A Baskerville, a Helvetica, a Palatino e a Times Roman – quatro das fontes mais disponíveis -, por exemplo, não têm nada a oferecer umas às outras a não ser a discórdia pública.”

R.B.

elementoscapa2Eis algumas excentricidades do designer Robert Bringhurst. Com prefácio e tradução de André Stolarski, o livro Elementos do estilo tipográfico – versão 3.0 de Robert Bringhurst, que já foi traduzido para línguas como o russo e o grego, está em sua terceira edição revista (versão 3.0) e faz-se um item mais que necessário na Biblioteca de Produção Editorial.

Escrita, projetada e composta pelo tipógrafo, ensaísta e poeta norte-americano Robert Bringhurst, a obra reúne e discute em profundidade os conhecimentos que a história da tipografia ocidental transformou em tradição ao longo dos últimos 600 anos, respaldado por uma linguagem deliciosamente acessível, que a tornou uma unanimidade entre os designers gráficos do mundo inteiro.

O título é inspirado em conceitos do filósofo Walter Benjamin. “O estilo literário é o poder de mover-se livremente pelo comprimento e pela largura do pensamento lingüístico sem deslizar para a banalidade. Estilo tipográfico, neste sentido amplo da palavra, não significa nenhum estilo em particular, ‘meu estilo’, ‘seu estilo’, ‘neoclássico’ ou ‘barroco’, mas o poder de mover-se livremente por todo o domínio da tipografia e de agir a cada passo de maneira graciosa e vital, sem ser banal”, afirma Bringhurst.

Sem se propor a ser uma guia tipógráfico, o livro tem a pretensão de dar ao leitor as informações necessárias para alcançar essa liberdade instrumental e, sobretudo, intelectual, o que diferencia o livro de Bringhurst dos manuais práticos, dos compêndios históricos e dos volumes introdutórios sobre o assunto.

Elementos sustenta sua afirmação de que não existe problema tipográfico que não seja, também, problema de linguagem, em um cabedal de informações práticas, que fornece desde o início: questões como o espacejamento de letras e palavras ou modos de recuar um parágrafo; tamanhos, estilos, famílias e contrastes das fontes de um texto; e muito mais.

Elementos do estilo tipográfico
Formato: 13,5 x 23 cm
Páginas: 432 páginas; 685 ilustrações
Encadernação: Brochura
Preço: R$ 47,20 no site da Cosac Naify

 

O incrível mestrado em Book Arts da universidade de Camberwell

Para quem pensa em seguir carreira acadêmica, tem £10,400 no bolso e um bom portfolio, a universidade britânica de Camberwell oferece um conceituado curso de mestrado em Book Arts — ou artes do livro, em bom português. O grupo  University of the Arts London, que engloba as universidades de Camberwell, Wimbledon , Central Saint Martin, London College of Fashion e  London College of Communication — que também oferece uma graduação curta (3 anos, bacharelado) em Book Arts and Design — goza de longa tradição no ensino das artes visuais, tendo nomes como Mike Leigh e Paul Cox na lista de ex-alunos.

Trabalho final do aluno Hei Shing Chang, "East meets West"
Trabalho final do aluno Hei Shing Chang

O curso de mestrado em Book Arts é interessante para quem curte tipografia, gosta muito de estudar, e não tem preguiça de enfrentar toda a papelada nas eliminatórias para a seleção dos mestrandos. A pós latto sensu Book Arts and crafts do London College of Communication exige menos pré-requisitos do candidato e é bastante voltada para a confecção, em grande parte artesanal, de livros propriamente ditos (criação de produto), parecendo ter poucas matérias teóricas, sob o nome de genérico de cultural studies; sendo, de quebra, mais barata (£5,045 + £50 de custos em materiais, sendo o curso composto por uma aula semanal, em 30 semanas/ano). Além de Book Arts and crafts, o LCC oferece também a pós latto Bookbinding and Book Restoration, o curso rápido Design Book Structures, que pode ser levado no formato summer course, e o mestrado (stricto) em Publishing, pra quem curte mais a parte administrativa de produção editorial.

Camberwell é, segundo o google, a única universidade no mundo oferecendo uma pós stricto sensu em design de livro. Nada de sair preenchendo a fichinha de inscrição, porém: além de ser super concorrido, caro e cansativo, o mestrado em Book Arts só aceita alunos que já mandem muito bem enquanto pesquisadores E designers. Ao meu ver, a pós em Camberwell deve ser encarada como um segundo mestrado para o estudante de produção editorial especializado em comunicação visual, que, de preferência, já esteja inserido no mercado, e tenha um bom networking tanto na vida prática quanto na carreira acadêmica. Porque o ninguém vai liberar uma bolsa de R$100.000,00 o ano para quem não é, no mínimo, excepcional.

Leia com atenção esse pdf sobre intercâmbio na UAL, bata um papo com o mr. Jeremy Madeley da Language Partners, e comece logo a fazer suas continhas. Tanto as graduações quanto os mestrados e os MBAs oferecidos pela rede valem a pena ser cursados e brigar por uma scolarship chapa-quente dessas não é tarefa fácil.

O Design do Livro

“Não sei como fazer design de livros – livros no abstrato. Sei apenas como fazer o design do livro em que estou trabalhando no momento. Cada livro, como todos os livros, é único” (Richard Hendel)
Inaugurando a seção Bibliografia Básica de P.E., vou falar de um livro muito indicado pelos professores e que, particularmente, estou gostando muito de ler.
Peça fundamental na estante de qualquer aluno de Produção Editorial e afins, O Design do Livro (Ateliê Editorial, 2006) foi organizado pelo premiado artista gráfico americano Richard Hendel. Nesta obra, ele e outros oito designers apresentam alguns de seus mais importantes projetos de livros comerciais e acadêmicos e revelam as soluções encontradas para chegar à melhor apresentação de cada uma dessas obras.
Diretor de produção e designer da editora da University of North Carolina, Chapel Hill, Hendel analisa os problemas inerentes a vários tipos de projetos, como escolha do formato e tamanho dos livros, seleção dos tipos para texto e títulos, disposição da mancha na página e determinação de detalhes tipográficos, entre outros.
Logo no início, o autor assume que não pretende empreender uma narrativa sobre a história do design do livro, muito menos quer fazer um guia de tipografia ou um manual de instruções cheio de regrinhas. Consciente do fato de que os designers raramente discutem seus processos criativos, sua primeira intenção é “mostrar como os designers tomam as decisões que tomam”.

Primeiro volume da coleção Artes do Livro, O Design do Livro é uma obra imprescindível para todos os profissionais do meio editorial, pois mostra que o desafio do designer de livros não é apenas criar algo diferente e bonito, mas descobrir a melhor forma de servir às palavras do autor.

O Design do Livro
Formato: 19 x 27,5 cm
Páginas: 224
Encadernação: Capa dura
R$ 72,00