Editoração é pop

Recentemente, o portal G1 publicou uma série de reportagens sobre o mercado editorial e a profissão de editor. Embora pouco aprofundadas, as matérias podem dar um panorama geral da profissão – inclusive com slides bacaninhas – principalmente para indecisos vestibulandos e calouros do terceiro período da ECO.

Uma delas é uma mini-entrevista com Ricardo Campos Assis, designer editorial e fundador do Estúdio Negrito. O ex-estudante da ECA/USP foi duas vezes campeão do prêmio Jabuti. Vale dar uma olhada na matéria, principalmente, para quem não conhece seu trabalho.

A matéria sobre o mercado publica alguns dados interessantes, como as expectativas salariais. Estima-se que um profissional do produção editorial ganha hoje R$ 450, em estágios de 4 horas e estágios integrais, R$800. Um recém formado pode ganhar entre R$ 1500 e R$ 2500 e os profissionais em cargos de gerencia, R$ 6.000 a R$ 8.000.

Os links são:
Mercado de trabalho em editoração é bastante amplo

Novas mídias ampliam opções na área de editoração

O bom projeto gráfico torna a comunicação mais eficiente

 

IV Fórum de Editoração

O Fórum de Editoração é um evento organizado pelos alunos do curso de Editoração da ECA-USP com o apoio do MASP e da Edusp. Seu objetivo é analisar o mercado editorial e as práticas profissionais da Editoração por meio de mesas de discussão com profissionais do meio, também abrindo espaço para a divulgação da área.

O Fórum chega agora a sua IVª edição com o tema “Identidades: desvendando o editor”. Uma discussão em torno da diversidade de perfis e práticas editoriais, que ora se unificam e ora se confrontam diante de um mercado competitivo, e que produzem um impacto na cultura e na sociedade.

Uma justificativa para o tema é a falta de identidade da profissão. Os recém-chegados ao mercado vêem muitas vezes sua área de atuação mal delimitada e invadida por profissionais de outras áreas, ao mesmo tempo que têm uma liberdade de atuação pouco vista em outras profissões. Por isso, esta edição do Fórum de Editoração se debruçará sobre as práticas profissionais, as diretrizes para a formulação de princípios éticos para o editor e o seu papel específico na sociedade.

O IV Fórum de Editoração será realizado no dia 22 de novembro de 2008 (sábado), das 9h às 17h30, no Pequeno Auditório do MASP (Av. Paulista, 1578).

A entrada é gratuita e não requer inscrição.

IV FÓRUM DE EDITORAÇÃO

9h00 – Práticas e funções do editor
Wagner Shimabukuro, Laura Bacellar, Augusto Massi e Marcello Rollemberg

11h00 – Regulamentação profissional
Plínio Martins Filho, Wander Soares, Vilma Dias Bernardes Gil e Sandra Reimão

13h30 – Ética em Editoração
Jiro Takahashi, Paulo Oliver, Paulo Roberto Pires e Rodrigo Salinas

15h00 – Iniciativas e resultados na sociedade
Galeno Amorim, Cláudia Costin, Eduardo Mendes, Luis Antônio Torelli, Samira Youssef Campedelli
A realização do evento é de responsabilidade de uma comissão formada exclusivamente por alunos do curso de Editoração da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA-USP.

Tratamento do negro nos livros didáticos reforça preconceito racial

É essa a opinião do historiador Manolo Florentino, também professor da UFRJ, em entrevista à BBC Brasil. Segundo ele, essa visão reducionista do negro como “vítima da sanha do branco (…) dificulta o processo de identificação social das crianças com aquela figura que está sempre sendo maltratada”. Os livros tendem a reforçar esse aspecto negativo e a ocultarem a participação do negro na formação do Brasil, apesar do contexto escravocrata.

Os livros mostram como brancos figuras mestiças que conseguiram se libertar da escravidão e se destacaram na vida pública. É o caso de Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Rodrigues Alves e Washington Luís, pessoas que, de acordo com um sistema de classificação anglo-saxão, não são considerados brancos. É o fenômeno chamado “ideologia do branqueamento”, pela qual indivíduos de ascendência negra tentavam se passar por brancos para ascenderem socialmente. Uma lei federal de 2003 tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas, mas poucas promovem programas de valorização da cultura afro-brasileira.

A idéia é ensinar aos alunos, na sua maioria negros, que eles não aparecem apenas como sujeitos vitimados na história brasileira, aumentando sua auto-estima e o desempenho escolar. Para o historiador, o enfoque na “historiografia da resistência” é uma das razões pelas quais os alunos têm dificuldade de se identificar com as populações escravizadas. “Na verdade, a constituição de identidade negra brasileira desse agente socialmente ativo se dá dentro da escravidão, dentro da sociedade, que está em processo constante de conflito, mas também de negociação.” A questão em pauta é tão delicada quanto a nossa responsabilidade, enquanto estudantes de PE. Se vamos trabalhar com livros didáticos, teremos que refletir sobre a importância do livro na formação do indivíduo e na contribuição que daremos para a sua identidade cultural.

Fonte: BBC Brasil

Editar: paixão pelo livro

“Edição é paixão pelo livro e paixão pela coisa intelectual”, eis o primeiro capítulo do livro da coleção “Editando o Editor I – J. Guinsburg”, que reúne relatos de importantes profissionais do campo editorial. O primeiro volume conta a experiência de J. Guinsburg, fundador da Editora Perspectiva.

A criação de Editora Perspectiva foi uma “aventura”. Segundo J.G, assim como todo projeto humano é acompanhado de uma utopia, numa editora – enquanto iniciativa no campo cultural – essa ilusão é muito mais forte. Para J.Guinsburg, a questão editorial não é apenas de ordem empresarial. Há uma ligação direta entre o intelectual, o literário e o processo de editoração, daí é que sobrevém a “paixão” que deve inspirar o editor na hora de escolher quais textos devem ou deveriam ser publicados.

O que não é uma escolha tão simples assim, uma vez que há duas maneiras de se trabalhar que definem os perfis de editores. A primeira delas é aquela que J.G. define como a favor do mercado, pelo menos ao que se supõe ser o mercado. E existe aquilo que se supõe ser contra o mercado.

Quem trabalha “a favor” não corre rico algum e, segundo ele, não é propriamente um editor, é antes um publisher, que faz uma análise do mercado, realiza levantamentos econômicos e mercadológicos e, em função da demanda, lança. É pensar em função do lucro previsto; se um livro, ainda que seja bom, não tem mercado, não interessa sua publicação.

Quem joga “contra” corre riscos sempre. É realmente uma aposta publicar um livro, com todos os encargos pecuniários que este implica, quando este livro for para as livrarias e não ser vendido em uma quantidade razoável. Fazer esse tipo de proposta num país como o Brasil, com baixo índice de leitura, torna-se uma verdadeira aventura, e das mais perigosas.

A linha editorial da Perpectiva, desde sua fundação em 1965 e sob a direção de J.G, tem trilhado este caminho. Nesta Editora, as perguntas básicas para se publicar um livro devem ser: este livro merece ser lido, merece circulação? Ele reúne qualidades mínimas pelas quais vale à pena apostar?

Na disputa de best-sellers, será que as editoras atuais ainda pensam na questão da qualidade? Uma editora deve ser vista como “projeto cultural” como defende J.G?