Filmes “literários”: qual será o próximo roteiro adaptado?

marleySe neste ano você foi ao cinema, deve ter percebido que os últimos filmes em destaque nos meses de janeiro e fevereiro são praticamente todos baseados em livros bem-sucedidos no mercado editorial. Nos últimos anos, a quantidade de filmes indicados ao Oscar, cujo roteiro foi adaptado ou inspirado em livros, é cada vez maior.

Na lista de 2009 estão O Leitor (ed. Record), romance do alemão Bernhard Schlink, publicado em 1995, cuja adaptação cinematográfica concorre a cinco estatuetas; o conto de Scott Fitzgerald que inspirou O Curioso Caso de Benjamin Button, que faz parte da coletânea Seis Contos da Era do Jazz e Outras Histórias (ed. José Olympio) indicado em 13 categorias; Quem Quer Ser um Milionário?, candidato a dez estatuetas e baseado em Sua Resposta Vale um Bilhão (ed. Companhia das Letras), de Vikas Swarup, e Foi Apenas um Sonho, baseado no livro homônimo de Richard Yates (ed. Objetiva/Alfaguara) e indicado a três Oscars.

E o sucesso nas bilheterias dá retorno também nas livrarias. Mesmo sem a indicação ao prêmio máximo de Hollywood, outros longas-metragens também causam repercussão no meio editorial após serem retratados pela sétima arte. Como exemplo, o livro O Menino do Pijama Listrado de John Boyne (ed. Companhia das Letras) teve as vendas ampliadas em 50 % no grupo Livrarias Curitiba após a estréia nos cinemas.

O mesmo vale para o título Gomorra (ed. Bertrand Brasil) do autor Roberto Saviano. A obra e o filme foram lançados em 2008, porém o livro vendeu mais de mil unidades logo após as primeiras exibições no país. Já o filme Marley & Eu fez as vendas do livro – (ed. Prestigio) de John Grogan, lançado em 2006 – dobrarem.

Mas nenhum desses casos foi tão impactante quanto o mais recente fenômeno adolescente: Crepúsculo de Stephenie Meyer (ed. Intrínseca). Logo após a estréia nos cinemas em 2008, o grupo vendeu mais de dez mil exemplares em apenas um mês, segundo Leoni Cristina Pedri, diretora de marketing do grupo Livrarias Curitiba, que tem 16 lojas em quatro estados. Aliás, é impressionante como este livro é amado até pelo público adulto. (Conheço pessoas que nunca se interessaram por literatura que estão lendo Crepúsculo!)

O mesmo aconteceu com Meu Nome Não é Johnny (ed. Record) de Guilherme Fiúza, que antes do filme havia vendido sete mil exemplares em todo Brasil, mas após a estréia da adaptação chegou a 70 mil unidades no país. Já o  O Código Da Vinci (ed. Sextante) foi um fracasso em comparação ao livro. E ainda vem por aí Anjos e Demônios!

Sem falar nas sobrecapas horrorosas! O que fizeram com a linda capa de Ensaio sobre a cegueira (Cia das Letras)? Sério, ninguém se torna fã de José Saramago por causa do filme!

Será que falta inspiração em Hollywood? A sétima arte é capaz de viver por ela mesma como provam seus grandes diretores. Há outros pontos que podem fazer de um filme uma obra interessante além da garantia de bilheteria do público leitor. Aliás, será que é o público leitor que vai assistir a adaptação de um enredo conhecido nas telas? Embora haja excelentes adaptações (como Fahrenheit 451), essa tendência  de “pegar carona” no sucesso alheio já está mais que irritando. O que teremos depois de Marley & Eu? O que a baleia Shamu me ensinou sobre a vida, amor e casamento?

Leia o livro! Veja aqui 23 adaptações sofríveis!

Anúncios

Homens e Livros

José Olympio é homenageado pelos netos com biografia e exposição na Biblioteca Nacional sobre a história de sua editora, uma das mais importantes do Brasil

A “Casa”. Era assim que José Olympio chamava a editora que inaugurou em 1932, inicialmente na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro. Nada mais exato. Até a sua morte aos 87 anos, em 1990, a Editora José Olympio foi o endereço cultural não só do Rio, mas do país, freqüentado por jovens autores que se tornariam grandes nomes da literatura nacional.
Uma vasta lista de “imortais” como Ana Maria Machado, Nélida Piñon, Ledo Ivo, Ivan Junqueira e Eduardo Portella estavam presentes na abertura da exposição “José Olympio – O Editor e Sua Casa”, na noite de terça-feira (29), na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

A exposição é um desdobramento do livro José Olympio – O Editor e Sua Casa, de José Mario Pereira, também lançado no evento que marcou a comemoração de dez anos da Editora Sextante, dirigida pelos netos do editor, Marcos e Tomás da Veiga Pereira.
O livro, uma homenagem dos netos ao avô, foi concebido em 2002, em um almoço entre Marcos, José Mario e Victor Burton, que seria o responsável pelo projeto gráfico das 424 páginas ricamente ilustradas com fotografias, bilhetes, capas de livros e correspondências entre José Olympio e os autores que publicou.
Além de inúmeras fotografias e publicações da “Casa”, também se destaca uma seção dedicada aos 207 títulos que compuseram a Coleção Documentos Brasileiros, da qual fizeram parte livros como Raízes do Brasil e Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda, e a reedição de Canudos, de Euclydes da Cunha.
“Sempre houve editores, de Monteiro Lobato em diante, mas José Olympio é um paradigma, pois intervinha na vida do país”, disse Muniz Sodré, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, em discurso na abertura da exposição.
(Fonte: Caderno G – Gazeta do Povo)

Exposição “José Olympio – O Editor e sua casa”. A mostra vai até 22 de agosto e conta com fotografias, manuscritos, capas de Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Iberê Camargo, além de escritores. O acervo José Olympio é composto por 6.094 livros, incluindo edições príncipes (primeiras edições) e cerca de 100 mil documentos manuscritos e iconográficos. A exposição pode ser visitada de segundas às sextas-feiras, de 10h às 17h e aos sábados, de 10h às 15h.
OBS: A professora Ana Sofia fará uma visita à exposição nesta quinta-feira (21) com os alunos de “História das editoras” e “Layout editorial”, mas o convite é para todos os alunos de PE que se interessarem. A “caravana” sairá da ECO às 11h.