Nosso meio na mídia: CBN Noite Total

Na noite do dia 08 de Julho de 2010, foi ao ar no programa CBN Noite Total uma entrevista sobre a relação do governo e das editoras na aquisição de livros didáticos.

Para responder à questão “Governo financia a produção de livros didáticos, mas não pode dispor dos textos como bem entender: quais são os prejuízos para a educação?” foi convidado o professor Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Para ouvir a íntegra da matéria, clique aqui.

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Um livro didático com discursos do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, tornou-se um sucesso de vendas no Japão

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O livro está sendo usado pelos japoneses para estudar inglês
O livro didático de inglês Os Discursos de Barack Obama, editado pela Asahi Press, figura na lista dos mais vendidos do site Amazon do Japão.
Em dois meses, desde o lançamento no mercado, já foram comercializadas mais de 400 mil cópias. Os best-sellers japoneses costumam vender pouco mais de um milhão de exemplares por ano.
Segundo Yuzo Yamamoto, o editor responsável pela produção do livro didático, os discursos de presidentes e de candidatos ao cargo são ótimas ferramentas para se aprender inglês porque, em geral, o conteúdo é bom e o vocabulário é fácil.
“Os discursos de Obama, especialmente, são empolgantes e ele usa palavras simples, que os japoneses memorizam com facilidade”, explicou Yamamoto à BBC Brasil, ao citar como exemplos os termos comumente usados pelo novo presidente americano: ‘yes, we can’ (sim, nós podemos), ‘change’ (mudança) e ‘hope’ (esperança).
Mas o editor lembra que o público consumidor não é necessariamente um estudante de inglês. “Muitos compram o livro interessados apenas no conteúdo dos discursos”, diz.
Fonte:  BBC

Gráficas têm custo milionário para implantar nova ortografia

Onze dias após a mudança na forma de escrever a Língua Portuguesa, o mercado editorial está dividido, muitas empresas já aderiram à nova norma e outras têm como estratégia utilizar o período de três anos para adaptação. Daquelas que já iniciaram as mudanças estão as editoras de dicionários, segundo a International Paper (IP), as encomendas para esse tipo de publicação aumentaram. Segundo estimativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL), a conta da adequação, considerando apenas a revisão de conteúdo e a rediagramação pode chegar a R$ 60 milhões. Um valor que corresponde a aproximadamente 4,29% do faturamento do setor que é de cerca de R$ 1,4 bi, verificado no ano passado.

Desse valor, cerca de 50% corresponde ao que o governo federal compra para o programa de distribuição do livro didático. Em 2008, o governo encomendou mais de 108 milhões de livros que custaram quase R$ 720 milhões, os números estão disponíveis no site da Fundação Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educação e Cultura (MEC). De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, os livros desse lote ainda não precisam atender à norma porque seu prazo de validade, que é de três anos, terminará na mesma época em que a regra passará a ser obrigatória. A partir do ano que vem até mesmo as compras governamentais deverão seguir a regra.

A outra metade do mercado é a que apresenta métodos diferentes para minimizar os problemas que a adequação do conteúdo dos cerca de 26 mil títulos que estão em segunda reimpressão poderão causar. Segundo a presidente da CBL, Rosely Boschini, essa exigência de investimentos que não inclui um eventual descarte de estoques, chegou em um momento ruim, em que a crise apertou o cinto das editoras.

“O governo já desenvolve um trabalho maravilhoso no campo dos didáticos”, disse a presidente. “Mesmo assim, o mercado editorial ainda carece de políticas públicas para incentivar a leitura no país”, cobrou Boschini. Segundo levantamento da entidade, há uma concentração das livrarias em capitais, cerca de 80% do total de menos de 3 mil. No Brasil, somente o eixo Rio-SP atende de forma adequada a população, o ideal são 10 mil pessoas por loja, hoje a média é nove vezes maior.

 

Estratégia

Entre as empresas que iniciaram a adequação de seus livros está a WMF, que surgiu em janeiro, resultado da divisão da Editora Martins Fontes. A empresa, que lançou 100 novos títulos em 2009, diz que apenas um não foi revisado por estar com as páginas internas todas impressas. O restante está de acordo. Contudo, os outros 800 títulos, herança da divisão do catálogo da antiga estrutura, deverão ser adequados no prazo de três anos, com a reedição. A outra empresa resultante da divisão, a Selo Martins, afirmou por meio de sua assessoria que irá começar a se adequar às novas regras em fevereiro, após a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).

O setor de dicionários é um dos mais afetados. Segundo o gerente-geral de negócios para papel de impressão e conversão da IP, Antônio Gimenez, a empresa sentiu um aumento na demanda de vários clientes por papel para a impressão desses produtos. Essa procura ocorreu a partir do início do segundo semestre. Segundo Alfried Plöger, da Melhoramentos e presidente da Abigraf, foi nessa época que a empresa passou a mudar seus produtos. “Procuramos, assim como diversas empresas, escoar os estoques para chegarmos em janeiro com produtos atualizados”, explicou. “Agora, sempre há problemas, alguns livros cuja venda é mais lenta, como os de arte, de preço mais elevado, deverá ter uma parte da tiragem descartada”, revelou.

Na Companhia das Letras o custo da revisão já tem um número: é de R$ 4,5 milhões. “Serão gastos, em média, R$ 3 mil por título, sendo que temos cerca de 1,5 mil livros no catálogo”, revelou o o diretor financeiro, Sérgio Windholz. Porém, ele acredita que esse acordo abrirá a possibilidade de expandir a atuação do livro brasileiro aos países do CPLP. Essa é a mesma expectativa de Boschini, da CBL, que vislumbra um mercado estimado em, ao menos, 240 milhões de pessoas.

Fonte: DCI

Acordo Ortográfico – V Editor em Ação

A terceira mesa do V Editor em Ação, cuja temática foi o impacto do novo acordo ortográfico, contou com a presença de Domício Proença, professor e representante da Academia Brasileira de Letras, Rachel Valença, revisora da Casa de Rui Barbosa, e Sérgio França, coordenador editorial da Editora Record. O encontro foi mediado pela professora Maura Sardinha.

Domício Proença iniciou a discussão traçando um histórico dos acordos ortográficos entre os países de lusófonos e explicando o principal motivo pelo qual estes acordos não entraram em vigor como se pretende atualmente – a legitimação. Segundo o professor, para que aconteça uma mudança destas no idioma oficial destes países, são necessários a aprovação do Congresso Nacional e um decreto assinado pelo presidente da república.

O palestrante, em seguida, falou da situação da língua portuguesa diante das “línguas nacionais” em alguns países: o número de falantes varia entre 60% e 70% em Angola, por exemplo, e não chega a 10% no Timor-Leste, onde há um movimento para tornar o inglês a língua oficial. Domício relembrou também que em 1996 atingiu-se o número necessário de países signatários – três (Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe) – e que houve uma pequena confusão em 1997, quando o acordo deveria ter entrado em vigor não fosse a espera pela adesão de Portugal.

Sobre o acordo ortográfico em si, o professor afirmou que este não muda a língua, apenas a roupagem de algumas palavras; não unifica a grafia, apenas simplifica; privilegia o aspecto fonético, mas não despreza o etimológico; atinge apenas 0,5% das palavras usadas pelo brasileiro e 1,6% do vocabulário português; e respeita as diferenças entre os países (Antônio e António, por exemplo, continuarão a existir no Brasil e nos demais países, respectivamente). Domício ressaltou ainda a grande capacidade de adaptação do brasileiro e o gosto pela novidade, lembrando que nas mudanças ortográficas anteriores (1943 e 1971) não houve confusão.
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Mercado de didáticos no Brasil

Caros,
recebi este artigo pela lista “mundo das editoras”.
Uma boa questão para as aulas o professor Mário e para todos que se precupam com a ética na área cultural/educacional de nosso país.

Rui Falcão
“Compreende-se o interesse das multinacionais pelo mercado brasileiro de livros didáticos: o programa do governo federal de compras de livros didáticos é o maior do mundo. Maior filão do mercado editorial, segundo informações do MEC, 75% das vendas de livros didáticos ao governo são disputadas por apenas quatro empresas (Moderna, FTD, Ática e Saraiva), que dividiram entre si três quartos, ou R$ 559,8 milhões dos R$ 746,4 milhões gastos pelo Ministério da Educação com material didático fornecido aos municípios em 2008. Esse valor é 43% superior aos R$ 523 milhões despendidos em 2007, o que sugere que, além de o País contar com o maior programa de compras de livros didáticos, esse segmento do mercado editorial brasileiro é também o que mais cresce no mundo.

Para abocanhar partes crescentes desse bolo, as editoras em geral não medem esforços, éticos ou condenáveis, para influenciar os responsáveis, direta e indiretamente, pelas compras, da mesma forma como procedem laboratórios farmacêuticos junto à classe médica. Para contê-las em seus ímpetos mercantis, o MEC elaborou recentemente uma cartilha de boas maneiras, para uso das editoras junto aos professores e às escolas. Contudo, a iniciativa, que alcançou eficácia relativa, não chegou a debelar o mal. Tanto assim que um dos motivos admitidos reservadamente por um diretor da Abril Educação, para sair do setor, é que a empresa não se encontra à altura da agressividade da concorrência, com a distribuição de automóveis, viagens internacionais e outros “mimos” para professores, diretores de escolas e autoridades da área de educação. E se o leitor duvidar de tal agressividade, sugiro que abra o site da Fundación Santillana, por exemplo, e constate a proximidade que a empresa espanhola mantém historicamente de ministros brasileiros da Educação, chefes de departamentos do MEC, secretários estaduais da educação e secretários municipais, caracterizando um dos lobbies mais bem incrustados no aparelho de estado brasileiro, do mesmo modo como procede em todo o mundo ibero-americano.” Leia o ótimo texto na íntegra aqui.

Tratamento do negro nos livros didáticos reforça preconceito racial

É essa a opinião do historiador Manolo Florentino, também professor da UFRJ, em entrevista à BBC Brasil. Segundo ele, essa visão reducionista do negro como “vítima da sanha do branco (…) dificulta o processo de identificação social das crianças com aquela figura que está sempre sendo maltratada”. Os livros tendem a reforçar esse aspecto negativo e a ocultarem a participação do negro na formação do Brasil, apesar do contexto escravocrata.

Os livros mostram como brancos figuras mestiças que conseguiram se libertar da escravidão e se destacaram na vida pública. É o caso de Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Rodrigues Alves e Washington Luís, pessoas que, de acordo com um sistema de classificação anglo-saxão, não são considerados brancos. É o fenômeno chamado “ideologia do branqueamento”, pela qual indivíduos de ascendência negra tentavam se passar por brancos para ascenderem socialmente. Uma lei federal de 2003 tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas, mas poucas promovem programas de valorização da cultura afro-brasileira.

A idéia é ensinar aos alunos, na sua maioria negros, que eles não aparecem apenas como sujeitos vitimados na história brasileira, aumentando sua auto-estima e o desempenho escolar. Para o historiador, o enfoque na “historiografia da resistência” é uma das razões pelas quais os alunos têm dificuldade de se identificar com as populações escravizadas. “Na verdade, a constituição de identidade negra brasileira desse agente socialmente ativo se dá dentro da escravidão, dentro da sociedade, que está em processo constante de conflito, mas também de negociação.” A questão em pauta é tão delicada quanto a nossa responsabilidade, enquanto estudantes de PE. Se vamos trabalhar com livros didáticos, teremos que refletir sobre a importância do livro na formação do indivíduo e na contribuição que daremos para a sua identidade cultural.

Fonte: BBC Brasil