Books or Blogs?

READ BOOKSDica da Vivian

Tem de tudo nesta rua #0

Dizem as más línguas que ele até trabalha, mora lá longe e chacoalha num trem da Central
(Homenagem ao Malandro, Chico Buarque)

Sempre haverá um dia daqueles no final do período da faculdade, sem sequer uma xerox de má qualidade na mochila, em que teremos que enfrentar uma hora e meia de viagem da Central do Brasil até a última estação do nosso ramal (seja este Santa Cruz, Japeri, Belford Roxo ou Gramacho). Excetuando-se aqueles que tem o dom de dormir em transporte coletivo sem abrir a boca ou cair no passageiro ao lado, a ausência de um bom livro torna quase insuportável o trajeto entre os berros de ambulantes e choros de crianças.

Bem verdade que pouquíssimos – no caso deste blog, que fique claro – irão identificar-se com o homenageado da epígrafe acima. No entanto, a salvação de alguns leitores-viajantes desprevinidos é bastante útil para qualquer leitor, principalmente os que buscam preço ou raridades.

Quem, no começo do ano, passou pela Presidente Vargas deve ter reparado que a Feira de Livros organizada por alguns sebos cariocas estava lá. Confesso que um “Senhor das Moscas” comprado com uma moeda salvou uma viagem de ida e volta naquela época. Os frequentadores do Largo de São Francisco podem, naturalmente, sentir-se em casa. Aos “alérgicos” fica a dica para procurar bem, visitar a feira mais de uma vez e negociar os preços.

Ficam aqui as desculpas por não ter avisado no momento certo, mas inauguro o espaço para sabermos onde está a feira intinerante.

“Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?”

221-retrato2É o que perguntou Rodrigo Ratier em sua excelente matéria “Vale mais que um trocado” para a Revista Escola da Abril. Ao sair pelas ruas de São Paulo, Rodrigo ofertou livros a pedintes, artistas circenses, vendedores ambulantes,  enfim, pessoas de todas as idades que fazem seu ganha-pão nos congestionamentos da cidade.

Com uma enorme caixa de papelão cheia de livros, desde clássicos da literatura até livros infantis atuais, Rodrigo levou sua proposta a 13 pessoas e não obteve nenhuma recusa. E houve pessoas que até pediram mais. Além de ser bem elaborada, a matéria constata que o  livro e leitura não são feitos apenas para uma elite como se ouve por aí, mas é uma questão de acesso e formação.

Leia a matéria aqui.

Cada livro no seu lugar

As imagens são do blog Oddee, que lista algumas das estantes de livros mais criativas do mundo. Confira!

Estante criada pelo artista conceitual Job Koelewijin, na figura de um 8 ou do símbolo matemático do infinito. Talvez para representar o infinito poder dos livros de durar para sempre, ainda que não em materiais palpáveis.

Estante criada pelo artista conceitual Job Koelewijin, na figura de um 8 ou do símbolo matemático do infinito. Talvez para representar o infinito poder dos livros de durar para sempre, ainda que não em materiais palpáveis.

Criada pela designer Zhdanova Irina, esta estante circular possui, além de um assento para o leitor, um mecanismo que permite mover suas prateleiras.

Criada pela designer Zhdanova Irina, esta estante circular possui, além de um assento para o leitor, um mecanismo que permite mover suas prateleiras.

"The Equation Bookshelf" by Marcos Breder. Você pode colocar entre parênteses os livros mais importantes.

"The Equation Bookshelf" by Marcos Breder. Você pode colocar entre parênteses os livros mais importantes.

A Editora Phaidon compra “Cahiers du Cinéma”

cahierducinemaUma editora de livros de arte, a Phaidon Press, comprou a famosa revista Cahiers du Cinéma da Société Editrice du Monde (do jornal “Le Monde”). A notícia é da revista britânica The Bookseller.

Richard Schlagman, proprietário da Phaidon, é citado dizendo: “Estou deliciado por ter tomado conta deste venerável título. A revista tem uma história extraordinária, embora em anos mais recentes se tenha debatido com problemas. Estou determinado a fazer com que os Cahiers du Cinéma voltem a ter papel central no mundo do cinema e voltem a ser indispensáveis para os seus participantes e aspirantes.”

David Guiraud, diretor do Le Monde, está convencido que a Phaidon vai continuar a desenvolver os Cahiers du Cinéma no “total respeito pela história e valores desta mítica revista.” A revista foi fundada em 1951, ali se consagraram grandes nomes da sétima arte como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Rivette e os outros que fariam a “nouvelle vague”.

Fonte: The Bookseller

Alemanha lê cada vez menos

Mal sabem para que serve um livro

Mal sabem para que serve um livro

Para quem acha que a falta de leitores é um problema somente do mercado brasileiro está muito enganado. O fantasma do baixo índice de leitura pode atingir também países com forte tradição em leitura como a Alemanha. Um estudo recente da Fundação Lesen (”ler” em alemão) de Mainz constata uma triste realidade: os alemães estão lendo cada vez menos. “Ler muito tempo me cansa demais”, justificam os alemães. A pesquisa partiu das seguintes questões: o que lê a população, como lê, por que e por quanto tempo? Ler na Alemanha 2008, o terceiro estudo da série sobre o comportamento de leitura, revela uma mudança nos hábitos da nação. Com tendências positivas e negativas.

O prazer de ler escasseia no país. Enquanto em 2000 um terço da população adulta e adolescente da Alemanha ainda lia entre 12 e 50 livros por ano, em 2008 apenas um quarto cumpre o mesmo volume de leitura. Outros 25% da população nem encostam o dedo num livro, uma proporção que se manteve constante nos últimos anos. Culpa das novas mídias ou da falta de estímulo?

Os pesquisadores de Mainz atribuem acreditam que isso se deva à falta de exemplo dos pais. Assim quase a metade dos entrevistados entre 14 e 19 anos de idade jamais recebeu um livro de presente na infância, o que certamente reduz o desempenho em quase todas as disciplinas.

Por outro lado, os estudos apontam um crescimento de leitores entre os descendentes de imigrantes. A pesquisa trouxe aqui uma descoberta surpreendente: uma nova “classe média de leitores”, formada por adultos com histórico de migração, porém com bons conhecimentos do idioma alemão. Cerca de 36% dos entrevistados com ascendência estrangeira admitiram que, várias vezes por semana, se entregam inteiramente à leitura, 11% até mesmo todos os dias.
Impresso ou eletrônico?
Como em outros países industrializados, na Alemanha “ler” significa, cada vez mais, “ler no monitor”. Porém o estudo também mostrou que a maioria não abriria mão do livro impresso. O motivo é que na tela é mais fácil o leitor se perder.
Convivência pacifica

Convivência pacífica

O novo estudo confirmou a impressão – presente desde a pesquisa de 2005 – de que o livro e as novas mídias são dois mundos completamente distintos. Mas que agora convergem.

Hoje já há leitores mais ligados à informação, que talvez ainda não leiam todo um livro na tela, mas não teriam problema se sua revista especializada fosse oferecida online. “E isso vai obviamente modificar muito todo o mercado livreiro”, prevê o encarregado de imprensa da Fundação Lesen.
 

Fonte: DW-World 

Os livros na conjuntura da crise

 Rosely Boschini*

Nas crises econômicas como a atual, a indústria da cultura, na qual se incluiu o setor editorial, pode ser mais duramente afetada do que outros segmentos. O problema tende a ser mais acentuado nas nações emergentes e nas que se encontram em desenvolvimento, de modo proporcional ao que se observa em tempos de vacas gordas. Afinal, as taxas históricas do nível de emprego e inclusão social têm efetiva congruência com os índices de leitura. O brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano. Na Alemanha, por exemplo, são 6,3 volumes por habitante/ano; na França, sete; na Itália, cinco; e nos Estados Unidos, 8,2.

É natural que um povo que ganha mais compre mais livros, assim como bens de consumo de um modo geral. Embora haja muita verdade nesta análise, não se pode ignorar que o nível de desenvolvimento das nações guarde estreita relação de causa-efeito com a cultura, a informação e o conhecimento. Assim, neste momento de adversidade macroeconômica, é imprescindível multiplicar os esforços voltados a estimular a indústria cultural e os livros, em particular, considerando seu significado para a democratização das oportunidades e a prosperidade socioeconômica do País. Em síntese, a crise não pode interromper ou abalar de modo grave o avanço da leitura e o acesso aos bens da cultura. Ler o artigo completo.

 *Rosely Boschini, da Editora Gente, é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).