Nosso meio na mídia: CBN Noite Total

Na noite do dia 08 de Julho de 2010, foi ao ar no programa CBN Noite Total uma entrevista sobre a relação do governo e das editoras na aquisição de livros didáticos.

Para responder à questão “Governo financia a produção de livros didáticos, mas não pode dispor dos textos como bem entender: quais são os prejuízos para a educação?” foi convidado o professor Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Para ouvir a íntegra da matéria, clique aqui.

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Em primeira pessoa: enquete e comentários

Finalizada há um tempo, ainda chama a atenção o resultado da enquete sobre o que deveriam fazer as editoras em tempos de crise. Um editor americano certamente estaria assustado com a opção vencedora e a lanterninha. De fato é justamente o contrário da experiência americana no atual biênio.

Espantado, qual o imaginário publisher americano, fiquei imaginando as justificativas que cada um dos 31 votantes pensou antes de optar por uma das soluções. Antes de propor as questões, porém, deixo claro que estou desconsiderando as alternativas ausentes na enquete.

Refletindo sobre a opção vencedora é inevitável imaginar o quanto é difícil inserir um novo autor no mercado, mesmo em tempos bons. Qual a receptividade dos novos autores pelo público, nas livrarias e nos meios de comunicação? É rentável ou seguro apostar em novos escritores em tempos de economia estável? Seria a crise global um bom momento para investir em novos autores? Com o mercado quebrado é mais tentador investir algum dinheiro em um desconhecido brasileiro que uma boa quantia em um título que esteja com boas vendas em alguns países?

De fato as apostas são mais nobres que buscar um porto seguro, mas estando a frente de uma editora com escolhas a serem feitas, cada um manteria a opção na qual votou?

Em tempos: se você fosse Schwartz (editora brasileira) colocaria suas fichas no novo Dan Brown, no Jorge Amado ou em jornalista de segundo caderno com seu primeiro romance? E na frente de uma editora americana ou europeia, qual seria a aposta?

A Editora Phaidon compra “Cahiers du Cinéma”

cahierducinemaUma editora de livros de arte, a Phaidon Press, comprou a famosa revista Cahiers du Cinéma da Société Editrice du Monde (do jornal “Le Monde”). A notícia é da revista britânica The Bookseller.

Richard Schlagman, proprietário da Phaidon, é citado dizendo: “Estou deliciado por ter tomado conta deste venerável título. A revista tem uma história extraordinária, embora em anos mais recentes se tenha debatido com problemas. Estou determinado a fazer com que os Cahiers du Cinéma voltem a ter papel central no mundo do cinema e voltem a ser indispensáveis para os seus participantes e aspirantes.”

David Guiraud, diretor do Le Monde, está convencido que a Phaidon vai continuar a desenvolver os Cahiers du Cinéma no “total respeito pela história e valores desta mítica revista.” A revista foi fundada em 1951, ali se consagraram grandes nomes da sétima arte como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Rivette e os outros que fariam a “nouvelle vague”.

Fonte: The Bookseller

Filmes “literários”: qual será o próximo roteiro adaptado?

marleySe neste ano você foi ao cinema, deve ter percebido que os últimos filmes em destaque nos meses de janeiro e fevereiro são praticamente todos baseados em livros bem-sucedidos no mercado editorial. Nos últimos anos, a quantidade de filmes indicados ao Oscar, cujo roteiro foi adaptado ou inspirado em livros, é cada vez maior.

Na lista de 2009 estão O Leitor (ed. Record), romance do alemão Bernhard Schlink, publicado em 1995, cuja adaptação cinematográfica concorre a cinco estatuetas; o conto de Scott Fitzgerald que inspirou O Curioso Caso de Benjamin Button, que faz parte da coletânea Seis Contos da Era do Jazz e Outras Histórias (ed. José Olympio) indicado em 13 categorias; Quem Quer Ser um Milionário?, candidato a dez estatuetas e baseado em Sua Resposta Vale um Bilhão (ed. Companhia das Letras), de Vikas Swarup, e Foi Apenas um Sonho, baseado no livro homônimo de Richard Yates (ed. Objetiva/Alfaguara) e indicado a três Oscars.

E o sucesso nas bilheterias dá retorno também nas livrarias. Mesmo sem a indicação ao prêmio máximo de Hollywood, outros longas-metragens também causam repercussão no meio editorial após serem retratados pela sétima arte. Como exemplo, o livro O Menino do Pijama Listrado de John Boyne (ed. Companhia das Letras) teve as vendas ampliadas em 50 % no grupo Livrarias Curitiba após a estréia nos cinemas.

O mesmo vale para o título Gomorra (ed. Bertrand Brasil) do autor Roberto Saviano. A obra e o filme foram lançados em 2008, porém o livro vendeu mais de mil unidades logo após as primeiras exibições no país. Já o filme Marley & Eu fez as vendas do livro – (ed. Prestigio) de John Grogan, lançado em 2006 – dobrarem.

Mas nenhum desses casos foi tão impactante quanto o mais recente fenômeno adolescente: Crepúsculo de Stephenie Meyer (ed. Intrínseca). Logo após a estréia nos cinemas em 2008, o grupo vendeu mais de dez mil exemplares em apenas um mês, segundo Leoni Cristina Pedri, diretora de marketing do grupo Livrarias Curitiba, que tem 16 lojas em quatro estados. Aliás, é impressionante como este livro é amado até pelo público adulto. (Conheço pessoas que nunca se interessaram por literatura que estão lendo Crepúsculo!)

O mesmo aconteceu com Meu Nome Não é Johnny (ed. Record) de Guilherme Fiúza, que antes do filme havia vendido sete mil exemplares em todo Brasil, mas após a estréia da adaptação chegou a 70 mil unidades no país. Já o  O Código Da Vinci (ed. Sextante) foi um fracasso em comparação ao livro. E ainda vem por aí Anjos e Demônios!

Sem falar nas sobrecapas horrorosas! O que fizeram com a linda capa de Ensaio sobre a cegueira (Cia das Letras)? Sério, ninguém se torna fã de José Saramago por causa do filme!

Será que falta inspiração em Hollywood? A sétima arte é capaz de viver por ela mesma como provam seus grandes diretores. Há outros pontos que podem fazer de um filme uma obra interessante além da garantia de bilheteria do público leitor. Aliás, será que é o público leitor que vai assistir a adaptação de um enredo conhecido nas telas? Embora haja excelentes adaptações (como Fahrenheit 451), essa tendência  de “pegar carona” no sucesso alheio já está mais que irritando. O que teremos depois de Marley & Eu? O que a baleia Shamu me ensinou sobre a vida, amor e casamento?

Leia o livro! Veja aqui 23 adaptações sofríveis!

Escritores e editoras estão sendo notificados sobre os seus direitos legais no Google

google1O processo ordenado pelo tribunal de oficialmente notificar escritores, editoras e outros titulares de direitos autorais sobre o histórico acordo de ação coletiva da Pesquisa de Livros do Google está a caminho. Escritores e editoras do mundo todo estão recebendo informações detalhadas sobre os seus direitos legais e opções por e-mail e pelo correio. Um Aviso Resumido está sendo publicado em 218 países e em 72 idiomas, que complementa o programa de avisos pelo correio que foram distribuídos.

O acordo, se aprovado pelo tribunal, irá autorizar o Google a escanear livros e encartes com direitos autorais nos Estados Unidos, manter um banco de dados eletrônico de livros e utilizar os livros de várias maneiras. Para os livros fora de impressão e permitido pelos titulares de direitos de livros impressos, o Google poderá vender acesso a livros individuais e assinaturas institucionais para o banco de dados, colocar anúncios em qualquer página dedicada a um livro e fazer outros usos comerciais dos livros. Em qualquer momento, os titulares de direitos podem mudar as instruções relacionadas com qualquer um desses usos e enviá-las para o Google. Através do Registro de Direitos de Livros (“Registro”) estabelecido pelo acordo, o Google pagará aos titulares de direitos 63% de todas as receitas provenientes desses usos.

O acordo também determina efetuar pagamentos em espécie para os titulares de direitos de livros e encartes que a Google escanea antes de 5 de maio de 2009. Os direitos dos membros da categoria podem ser afetados pelo acordo mesmo se não agirem. Aqueles que preferirem não participar ou são contra o acordo precisam se manifestar até 5 de maio de 2009. Reivindicações para pagamentos em espécie para os livros e encartes escaneados até 5 de maio de 2009 precisam ser arquivadas até 5 de janeiro de 2010. O Tribunal Regional dos Estados Unidos para o Distrito do Sul de Nova York irá decidir se concederá aprovação final do acordo em uma audiência que será realizada em 11 de junho de 2009. Informações completas sobre o acordo estão disponíveis no http://www.googlebooksettlement.com, em 36 idiomas. (FONTE Boni & Zack LLC e Debevoise & Plimpton LLP)

Gráficas têm custo milionário para implantar nova ortografia

Onze dias após a mudança na forma de escrever a Língua Portuguesa, o mercado editorial está dividido, muitas empresas já aderiram à nova norma e outras têm como estratégia utilizar o período de três anos para adaptação. Daquelas que já iniciaram as mudanças estão as editoras de dicionários, segundo a International Paper (IP), as encomendas para esse tipo de publicação aumentaram. Segundo estimativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL), a conta da adequação, considerando apenas a revisão de conteúdo e a rediagramação pode chegar a R$ 60 milhões. Um valor que corresponde a aproximadamente 4,29% do faturamento do setor que é de cerca de R$ 1,4 bi, verificado no ano passado.

Desse valor, cerca de 50% corresponde ao que o governo federal compra para o programa de distribuição do livro didático. Em 2008, o governo encomendou mais de 108 milhões de livros que custaram quase R$ 720 milhões, os números estão disponíveis no site da Fundação Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educação e Cultura (MEC). De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, os livros desse lote ainda não precisam atender à norma porque seu prazo de validade, que é de três anos, terminará na mesma época em que a regra passará a ser obrigatória. A partir do ano que vem até mesmo as compras governamentais deverão seguir a regra.

A outra metade do mercado é a que apresenta métodos diferentes para minimizar os problemas que a adequação do conteúdo dos cerca de 26 mil títulos que estão em segunda reimpressão poderão causar. Segundo a presidente da CBL, Rosely Boschini, essa exigência de investimentos que não inclui um eventual descarte de estoques, chegou em um momento ruim, em que a crise apertou o cinto das editoras.

“O governo já desenvolve um trabalho maravilhoso no campo dos didáticos”, disse a presidente. “Mesmo assim, o mercado editorial ainda carece de políticas públicas para incentivar a leitura no país”, cobrou Boschini. Segundo levantamento da entidade, há uma concentração das livrarias em capitais, cerca de 80% do total de menos de 3 mil. No Brasil, somente o eixo Rio-SP atende de forma adequada a população, o ideal são 10 mil pessoas por loja, hoje a média é nove vezes maior.

 

Estratégia

Entre as empresas que iniciaram a adequação de seus livros está a WMF, que surgiu em janeiro, resultado da divisão da Editora Martins Fontes. A empresa, que lançou 100 novos títulos em 2009, diz que apenas um não foi revisado por estar com as páginas internas todas impressas. O restante está de acordo. Contudo, os outros 800 títulos, herança da divisão do catálogo da antiga estrutura, deverão ser adequados no prazo de três anos, com a reedição. A outra empresa resultante da divisão, a Selo Martins, afirmou por meio de sua assessoria que irá começar a se adequar às novas regras em fevereiro, após a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).

O setor de dicionários é um dos mais afetados. Segundo o gerente-geral de negócios para papel de impressão e conversão da IP, Antônio Gimenez, a empresa sentiu um aumento na demanda de vários clientes por papel para a impressão desses produtos. Essa procura ocorreu a partir do início do segundo semestre. Segundo Alfried Plöger, da Melhoramentos e presidente da Abigraf, foi nessa época que a empresa passou a mudar seus produtos. “Procuramos, assim como diversas empresas, escoar os estoques para chegarmos em janeiro com produtos atualizados”, explicou. “Agora, sempre há problemas, alguns livros cuja venda é mais lenta, como os de arte, de preço mais elevado, deverá ter uma parte da tiragem descartada”, revelou.

Na Companhia das Letras o custo da revisão já tem um número: é de R$ 4,5 milhões. “Serão gastos, em média, R$ 3 mil por título, sendo que temos cerca de 1,5 mil livros no catálogo”, revelou o o diretor financeiro, Sérgio Windholz. Porém, ele acredita que esse acordo abrirá a possibilidade de expandir a atuação do livro brasileiro aos países do CPLP. Essa é a mesma expectativa de Boschini, da CBL, que vislumbra um mercado estimado em, ao menos, 240 milhões de pessoas.

Fonte: DCI

Ascensão lenta, mas consistente

1. O Brasil é um país de poucos leitores, que em geral refutam os grandes autores e compram livros de baixa qualidade. E a nova geração, que foge da leitura e prefere diversões eletrônicas, ameaça a sobrevivência do mercado editorial.

2. O Brasil é um país de poucos, mas cada vez mais numerosos, leitores. Gêneros como auto-ajuda, educação financeira e literatura de entretenimento colaboram para essa popularização. E a nova geração, estimulada pelo fenômeno “Harry Potter”, lê mais que a de seus pais.

Avaliações feitas por empresários do mercado editorial costumam se alternar entre as duas descrições acima. Em geral, os livreiros mais antigos, donos de tradicionais lojas de rua, defendem a primeira opção. Executivos que comandam grandes editoras ou redes de livrarias, com forte presença em shoppings, são partidários da segunda. Ao menos em relação ao número de leitores e às vendas de livros, os números dão mais razão à alternativa otimista.

É verdade que menos de 30 milhões de brasileiros são considerados leitores ativos – e mesmo esses lêem, em média, menos de quatro livros por ano, segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL). Mas o número de exemplares vendidos têm crescido. “É um movimento bastante gradual, mas todas as pesquisas mostram que tem crescido o número de leitores, e o número de livros que cada um lê por ano”, diz Flávia Ghisi, professora do Provar/FIA.

Em 2007, as vendas da indústria editorial cresceram 6% sobre o ano anterior, com uma boa notícia: as vendas ao consumidor final subiram 8,2%, bem mais que o avanço de 3% das encomendas do governo – que ainda responde por quase 40% do volume vendido e 24% dos pouco mais de R$ 3 bilhões faturados pelas editoras do país.

“É evidente que o mercado incorporou novos leitores quando um livro como ‘A cabana’ [de William P. Young] lidera por meses a lista de mais vendidos. Isso seria impensável na década passada. Há dez anos, um livro vender 100 mil exemplares no Brasil era extraordinário. Hoje o teto é bem mais alto, e não é raro vermos obras vendendo 1 milhão de unidades”, diz a diretora editorial da Record, Luciana Villas-Boas.

Nova geração

Em 2007, a produção de livros de literatura infantil e juvenil cresceu quase 15% e superou a produção de literatura adulta, segundo a CBL – dois anos antes, a edição de livros para adultos era 11% maior. Com 23,3 milhões de exemplares produzidos no ano passado, o gênero infanto-juvenil ficou atrás apenas dos livros religiosos (25,4 milhões) e das obras de educação básica (213 milhões). Dados que colocam em xeque a idéia de que a nova geração não se interessa por leitura.

“Os jovens de hoje lêem muito mais que seus pais. Coleções como a ‘Vaga-Lume’ e a ‘Para Gostar de Ler’ fizeram uma revolução nas escolas. A minha geração, por outro lado, foi punida pela escola, que nos obrigava a ler livros áridos logo de início”, diz Marcos Pedri, diretor comercial da Livrarias Curitiba. Para Flávia Ghisi, do Provar/FIA, é a combinação entre popularização do livro e aumento do interesse do público jovem que vai garantir a expansão do mercado em 2009. (FJ)

Fonte:  Gazeta do Povo