Direito Autoral – V Editor em Ação

Teve início hoje o V Editor em Ação (II Seminário de Estudos sobre o Livro) com a palestra Direito Autoral na Produção Editorial. Neste primeiro encontro foram abordadas as questões a respeito dos direitos do autor e direitos de propriedade de uma obra intelectual, principalmente o livro. Os palestrantes, no entanto, não se ativeram à explicação da legislação que trata do assunto, trouxeram reflexões, problemas e propostas para repensar o direito autoral em uma época marcada pelo enorme alcance Internet. O palestrante José Vaz, coordenador substituto de Direitos Autorais da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, apresentou alguns dos problemas presentes na lei que regula os direitos autorais. Segundo Vaz, a legislação atual favorece uma política de concentração, exemplificada pela indústria fonográfica, na qual as quatro grandes gravadoras lançaram 50 discos em um ano e dominaram 85% da programação musical das rádios, restando 15% para as independentes e afins, que lançaram 300 títulos no mesmo período.

Outros problemas apontados pelo palestrante foram: a lacuna na lei no que se refere a criações coletivas tradicionais e aos conhecimentos gerados por comunidades indígenas, por exemplo; o fato de o Brasil ser um dos poucos países onde não há remuneração pela cópia privada e um dos 20% que exigem autorização formal do autor mesmo quando se trata da preservação de acervo. Por fim, José Vaz colocou em questão uma lei que já foi descumprida por praticamente todos os cidadãos, deixando claro que não incentiva o desrespeito à lei, mas a correção e adequação desta lei. O palestrante afirmou também que muitos destes problemas requerem uma política cultural, que não deixa de passar pela questão dos direitos autorais.

Carlos Afonso Pereira de Souza, coordenador adjunto do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio, começou reforçando as críticas. Segundo o palestrante, um dos problemas brasileiros é estabelecer o marco penal antes do marco civil. A legislação sobre a Internet, por exemplo, começa pelo seu aspecto criminal. Por conta disto, falar sobre direitos autorais no Brasil virou sinônimo de falar sobre pirataria e outras infrações e crimes. Em seguida, o palestrante contrapôs o modelo tradicional de produção (acesso restrito, interatividade unitária e colaboração inexistente) aos novos modelos (acesso amplo, interatividade plural e colaboração estimulada) e mostrou o Creative Commons como uma saída para a formalidade da autorização para uso de uma obra intelectual. Carlos Afonso terminou tratando das inovações tecnológicas, dizendo que o direito autoral não deve restringí-las. Antes de proibir qualquer tecnologia, deveriam ser feitas três perguntas: existe a possibilidade de uso lícito? Existe um meio menos gravoso? E qual a eficácia da proibição?

Por último, Dalízio Barros, advogado coordenador da área criminal da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos e colaborador da Abrelivros, explicou o trabalho da ABDR e explicitou que o maior problema para as editoras não são alunos que copiam material para as aulas, mas as copiadoras que comercializam cópias ilegais de livros inteiros, competindo injustamente com o original. O advogado mostrou também que hoje o maior desafio da ABDR é a Internet a apresentou um projeto consagrado em outros países e relativamente recente no Brasil: o Portal Pasta do Professor. Este portal – uma parceria entre editoras, instituições de ensino, professores e pontos de venda – permite que o aluno faça uma cópia legal de materiais disponibilizados por seu professor. Esta cópia registrada fica um pouco mais cara que a ilegal, mas garante que os autores dos textos recebam a porcentagem referente aos direitos autorais.

O encontro foi encerrado com as perguntas dos presentes e com o comentário do professor Joaquim Welley, mediador da mesa, de que é preciso mudar a cultura do brasileiro para combater estes crimes e ilícitos contra os direitos autorais.

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Concurso Pontos de Leitura – Edição Machado de Assis

O Ministério da Cultura, visando o reconhecimento das “iniciativas que promovem a leitura em espaços diversos, dando visibilidade e acesso ao livro em lugares além das bibliotecas públicas propriamente ditas”, está destinando 12 milhões de reais em kits (acervo, computadores e mobiliário) para até 600 iniciativas selecionadas através do Concurso Ponto de Leitura

Estão aptas a participar as instituições “que desenvolvam ações de fortalecimento, estímulo e fomento à leitura em bibliotecas comunitárias, hospitais, associações comunitárias, sedes de organizações não-governamentais, sindicatos, Pontos de Cultura, unidades prisionais, entre outros” através de pessoas físicas ou jurídicas nacionais, públicas ou privadas, sem fins lucrativos. Para se inscrever, é preciso que a iniciativa tenha, ao menos, um ano de existência comprovado e estão vedadas as inscrições de bibliotecas, escolas e universidades mantidas pelo poder público.

As inscrições são gratuitas e vão até o dia 10 de novembro de 2008. Outras informações, regulamento e ficha de inscrição podem ser obtidos clicando aqui ou pelos e-mails pontosdeleitura@minc.gov.br, pontosdeleitura@cultura.gov.br e pelo telefone (61) 3316.2014.

Sai Gilberto Gil, entra Juca Ferreira

Sai Gilberto Gil, entra Juca Ferreira para o cargo de ministro da Cultura. E já de cara, nesta última quinta-feira (14.08), na abertura da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, recebeu um manifesto das Entidades do livro pedindo a recriação da Secretaria Nacional do Livro e Leitura, que foi desativada no primeiro ano da gestão Gil. Esse documento foi anunciado por Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro, em seu discurso de inauguração. Entre outras questões, foi levantada uma crucial para o mercado editorial no Brasil: a redução dos preços do livro. Enquanto isso, resta-nos engrossar o coro: Secretaria do Livro já!