Um prêmio dedicado aos profissionais do livro

Imaginem se um dia, você subisse ao palco para receber um prêmio pela execução de um filme daquela revisão que te privou de horas de sono e garantiu muitas dores nas costas, mas que no final te deu o maior orgulho. Oscar de Produção Editorial? Exatamente.

Em Portugal, Os Prêmios Edição LER | Booktailors premiam os melhores profissionais da área da edição de livros. Os prêmios principais (e que contam com os votos do público, além de um júri especialista) são dedicados aos criadores de: Melhor capa de Literatura, Não-ficção, Infanto-juvenil,  Arte,  Gastronomia; Melhor Projeto Gráfico (nas mesmas subdivisões); melhor fotografia original; melhor ilustração original; e (saindo um pouco do campo da edição) Melhor livraria independente, entre outros. Ainda existem os Prêmios Especiais do Júri que galardeam os profissionais de Edição, Revisão, Tradução, Livreiro e blogosfera de edição, entre outras categorias.

Os vencedores da edição de 2009 foram anunciados em maio, e podem ser conferidos aqui. Vejam as capas, e digam se pensam como eu, que acho sorte deles que não é permitido a candidatura de capistas brasileiros ao prêmio.

Curiosidade: se essa premiação ocorresse aqui no Rio, alguém consegue imaginar candidatos aos prêmios de “Melhor livraria independente” e “Melhor Livreiro”?

(Juro que tentarei não falar de Portugal no próximo post. =P)

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Mestrado em Tecnologias Editoriais

A saída mais natural dos recém-formados em PE é o mercado de trabalho, mas muitos optam por permanecer nas carteiras por mais tempo e ingressar diretamente em um mestrado. No Brasil, não dispomos de muitas pós-graduações de currículo totalmente voltado para os estudos do livro e/ou mercado editorial. Aqui no Rio, temos alguns cursos de especialização, como o de Publishing Management, da FGV (precisava mesmo desse nome em inglês pomposo?) e o A Produção do Livro: do autor ao leitor, da PUC-Rio.

Em Portugal, o Instituto Politécnico de Tomar (na cidade de mesmo nome, localizada a 143km de Lisboa), recentemente abriu vagas para o mestrado em Tecnologias Editoriais. O curso tem entre seus objetivos, “fornecer os conhecimentos e promover o trabalho prático necessários às áreas multidisciplinares da edição, fornecendo ao aluno capacidades para integrar o mercado de trabalho na área das edições”. Os interessados podem entrar em contato com o Gabinete de Relações Internacionais do Instituto para maiores informações sobre como ingressar no curso sendo um aluno estrangeiro.

Portugueses vendem livros com 100% de desconto!

A maior livraria virtual portuguesa, a Wook.pt, lançou uma campanha inédita de promoção da leitura. Até esta quinta-feira, dia 27, um milhão de livros estarão disponíveis em seu site, em momentos promocionais – Momento Wook – a preço zero. Para participar da campanha basta fazer o registro online e estar atento à colocação de um banner no site que informará o início do Momento Wook. Os primeiros 1.000 clientes que encontrarem um dos seus livros preferidos com 100% de desconto e, rapidamente, confirmarem a encomenda, serão os felizardos. Para quem quiser tentar a sorte, a promoção é válida inclusive para o mercado internacional, mas os sortudos arcarão com o custo da postagem.

Fonte: PublishNews

Acordo Ortográfico – V Editor em Ação

A terceira mesa do V Editor em Ação, cuja temática foi o impacto do novo acordo ortográfico, contou com a presença de Domício Proença, professor e representante da Academia Brasileira de Letras, Rachel Valença, revisora da Casa de Rui Barbosa, e Sérgio França, coordenador editorial da Editora Record. O encontro foi mediado pela professora Maura Sardinha.

Domício Proença iniciou a discussão traçando um histórico dos acordos ortográficos entre os países de lusófonos e explicando o principal motivo pelo qual estes acordos não entraram em vigor como se pretende atualmente – a legitimação. Segundo o professor, para que aconteça uma mudança destas no idioma oficial destes países, são necessários a aprovação do Congresso Nacional e um decreto assinado pelo presidente da república.

O palestrante, em seguida, falou da situação da língua portuguesa diante das “línguas nacionais” em alguns países: o número de falantes varia entre 60% e 70% em Angola, por exemplo, e não chega a 10% no Timor-Leste, onde há um movimento para tornar o inglês a língua oficial. Domício relembrou também que em 1996 atingiu-se o número necessário de países signatários – três (Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe) – e que houve uma pequena confusão em 1997, quando o acordo deveria ter entrado em vigor não fosse a espera pela adesão de Portugal.

Sobre o acordo ortográfico em si, o professor afirmou que este não muda a língua, apenas a roupagem de algumas palavras; não unifica a grafia, apenas simplifica; privilegia o aspecto fonético, mas não despreza o etimológico; atinge apenas 0,5% das palavras usadas pelo brasileiro e 1,6% do vocabulário português; e respeita as diferenças entre os países (Antônio e António, por exemplo, continuarão a existir no Brasil e nos demais países, respectivamente). Domício ressaltou ainda a grande capacidade de adaptação do brasileiro e o gosto pela novidade, lembrando que nas mudanças ortográficas anteriores (1943 e 1971) não houve confusão.
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Mercado editorial português: FNAC e os 10%

Semana passada, a FNAC foi notícia nos jornais portugueses (merecendo chamada inclusive em primeira página, para vocês terem tamanho da repercussão da notícia). O motivo? A suspensão da política de conceder 10% de descontos na venda de todos os livros a qualquer comprador, restringindo o desconto apenas aos detentores do cartão da loja.

Contextualizando: a rede francesa chegou ao território português em 1998, e foi a responsável por trazer para Portugal o conceito de espaço de entretenimento às livrarias, com cafés e programação culturais, assim como em todas as suas filiais espalhadas pelo mundo. Indo contra o padrão de atendimento despreparado dos empregados das grandes livrarias (e também de como funciona a FNAC original), procurou contratar funcionários especializados em pelo menos algum gênero de literatura. (Ou seja, uma Livraria da Travessa com ares de megastore.) Na parte administrativa, buscou adquirir livros de fundo de catálogo não disponíveis em outras livrarias e fez a alegria dos pequenos editores portugueses, efetuando compras diretas dos livros (ao invés de consigná-los). Claro que isto fez com que as pequenas livrarias tremessem nas bases, como acontece sempre que uma megastore chega às redondezas, mesmo com a a política do preço fixo dos livros vigente em Portugal. Mas, obviamente, as pequenas não tem o mesmo poder da FNAC de oferecer desconto em TODOS os livros. Em 10 anos, todas essas práticas aliadas ao “Preço Verde” (os tais 10% de desconto) tornaram a FNAC líder de vendas no segmento de livros no país.

Fidelização ou “curralização” da clientela? Em breve saberemos se esta mudança atrairá ainda mais aderentes ao cartão FNAC, ou se a antipatia pela decisão acabará por reduzir a sua clientela.

(Com informações extraídas do Blogtailors)