Leite derramado

BudapesteA Companhia das Letras anunciou o lançamento do novo livro de Chico Buarque, Leite derramado, que chega às livrarias agora no fim de março, começo de abril. Sem adiantar sinopse ou algo mais sobre a obra, é a quarta  prosa que Chico lança pela editora.

É inegável o que significa Chico Buarque para a múscia brasileira, no teatro fez jus aos cariocas com Ópera do Malandro  e foi brilhante em Gota d’água, também seus romances embarcam na mesma aura de intelectualidade refinada e badalação. Em 1992, quando lançou Estorvo, prosa em primeira pessoa, arrematou o Jabuti daquele ano de melhor romance.

Seguido com o lançamento de Benjamin em 1995, que tem muito do estilo do anterior, até que com Budapeste, em 2003, recebe o Jabuti de melhor livro naquele ano e o sucesso da crítica o aclamando como nome forte das letras contemporâneas do Brasil. Recentemente Budapeste foi adaptado para o cinema.

leite-derramado1O sucesso de crítica dos livros de Chico também se reflete nas vendas, sendo bom ou ruim, simples ou complexo, ler Chico Buarque é instintivo, seja pela ordem de grandeza desse nome ou mesmo pelo status que carrega. Na dúvida por uma nova contemplação literária, Chico soa como um porto seguro. 

Leite derramado é a próxima obra desse artista, com um título mais próximo dos temas de sua música, até onde convém, definir Chico Buarque nesse mar de composições e estórias ilumina o enigma instigante que nos faz refletir sobre de que planeta veio esse brasileiro.

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O sr. Raposo adora livros!

raposocapaEssencial para a biblioteca de Produção Editorial, o livro O sr. Raposo adora livros! é o presente ideal para as crianças neste natal. O personagem principal é uma raposa que devora livros, literalmente, temperando-os com sal e pimenta para saboreá-los melhor. O Senhor Raposo é tão faminto que chegou a mastigar obras inteiras de uma biblioteca e tentou roubar a livraria da esquina. Foi preso e proibido e ler. Na prisão, teve que se contentar em comer folhetos, jornais, revistas, mas não era a mesma coisa. Substituir a boa leitura por folhetos de anunciantes rendeu desarranjos intestinais no senhor Raposo. Sem nenhum livrinho apetitoso para comer, senhor Raposo resolve escrever sua própria história. Um final inusitado e divertido surpreende o leitor.

De autoria e traço da alemã Franziska Biermann, o livro fala sobre a importância e o prazer da leitura para jovens leitores, como ler precisa ser uma prática tão essencial quanto se alimentar. Sem didatismo exagerado, as ilustrações dão ritmo ao texto e deixam a história ainda mais engraçada.

Título: O sr. Raposo adora Livros!
Autor: Franziska Biermann (Tradução de Christine Röhrig)
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 66 páginas; 29 ilustrações
Encadernação: Brochura
Preço: R$ 33,00 preço normal e R$ 24,75 aqui.

The print is dead*

“One of the questions that haunts me – it’s a question for philosophers and brain science – is, if you’ve forgotten a book, is that the same as never having read it?”
Tom Stoppard

The print is dead - Book in our digital age

The print is dead Books in our digital age

É inegável a relevância cultural que o livro provocou por mais de 1500 anos. O livro passou por guerras e períodos escassos de papel. Continuou firme mesmo com a invenção de novos aparatos tecnológicos, como o rádio, a televisão, os jogos eletrônicos e o computador. Agora, pela primeira vez na história, isso está para mudar.

Pelo menos é o que pensa Jeff Gomez, autor de Print is dead – Books in our digital age (New York: Macmillan, 2008, 221 páginas), ainda não publicado no Brasil (quem sabe, talvez?). Para Gomez, hoje os jornais brigam por leitores e credibilidade, o download de músicas já passou o CD para trás e a revolução digital está a um passou (ou click) de transformar o livro impresso em objeto de museu. Mais que uma desculpa para usar a tag “fim do livro” criada por B. Cruz, nesse livro, Gomez explica como autores, editores e distribuidores devem lidar com essa nova realidade.

Jeff Gomez começou sendo escritor, mas trabalha com livros eletrônicos e leitura digital desde que a indústria começou, em 1999. Atualmente, é diretor de marketing online da Penguin dos EUA e escreve regularmente no blog Print is Dead.

Para saber mais sobre o fim do livro:

The Gutenberg Elegies: The Fate of Reading in an Electronic Age

Long Tail, The, Revised and Updated Edition: Why the Future of Business is Selling Less of More

* Não recomendado para aqueles que não agüentam mais ouvir (ler) sobre o fim do livro.

Falcatruas pela resenha

Luíz Nassif é um jornalista mineiro, que andou falando demais. Foi destaque numa publicação não muito recente da Caros Amigos, ao exemplo de José Arbex Jr., que resolveu escancarar o processo de industrialização da notícia na Folha de São Paulo (ver em Showrnalismo, a notícia como espetáculo, Editora Casa Amarela, p.292), Nassif desarticulou negociatas e influências na revista VEJA.

Dentre elas não escapou a tal lista dos mais vendidos de VEJA, e as resenhas na seção LIVROS, ambas conhecidas no mercado como processos de avalanches de vendas. Embora todos saibamos da ideoneidade de VEJA (?) sua reputação como uma das principais mídias do Brasil e, principalmente, por reproduzir (induzir) a opnião pública da classe média e alta do país. Nassif diz algo sobre os editores da seção livros, negócios envolvendo a Saraiva e a Editora Record. Dentre os citados estão Diogo Mainardi, Jardim e Sabino. Vale a pena ler e discutir ética em produção editorial e jornalismo: http://luis.nassif.googlepages.com/osmaisvendidos

O Design do Livro

“Não sei como fazer design de livros – livros no abstrato. Sei apenas como fazer o design do livro em que estou trabalhando no momento. Cada livro, como todos os livros, é único” (Richard Hendel)
Inaugurando a seção Bibliografia Básica de P.E., vou falar de um livro muito indicado pelos professores e que, particularmente, estou gostando muito de ler.
Peça fundamental na estante de qualquer aluno de Produção Editorial e afins, O Design do Livro (Ateliê Editorial, 2006) foi organizado pelo premiado artista gráfico americano Richard Hendel. Nesta obra, ele e outros oito designers apresentam alguns de seus mais importantes projetos de livros comerciais e acadêmicos e revelam as soluções encontradas para chegar à melhor apresentação de cada uma dessas obras.
Diretor de produção e designer da editora da University of North Carolina, Chapel Hill, Hendel analisa os problemas inerentes a vários tipos de projetos, como escolha do formato e tamanho dos livros, seleção dos tipos para texto e títulos, disposição da mancha na página e determinação de detalhes tipográficos, entre outros.
Logo no início, o autor assume que não pretende empreender uma narrativa sobre a história do design do livro, muito menos quer fazer um guia de tipografia ou um manual de instruções cheio de regrinhas. Consciente do fato de que os designers raramente discutem seus processos criativos, sua primeira intenção é “mostrar como os designers tomam as decisões que tomam”.

Primeiro volume da coleção Artes do Livro, O Design do Livro é uma obra imprescindível para todos os profissionais do meio editorial, pois mostra que o desafio do designer de livros não é apenas criar algo diferente e bonito, mas descobrir a melhor forma de servir às palavras do autor.

O Design do Livro
Formato: 19 x 27,5 cm
Páginas: 224
Encadernação: Capa dura
R$ 72,00

Como falar dos livros que não lemos?

Pode soar como mais um livro de auto-ajuda para pseudo-intelectuais, mas é apenas a dose de humor e sinceridade que tempera o livro do francês Pierre Bayard, lançado este ano pela Objetiva.

Psicanalista e professor de literatura francesa na Universidade de Paris, Bayard defende a tese de que é possível falar com propriedade de um livro mesmo sem o ter lido. Na Flip deste ano, o autor causou reboliço ao afirmar categoricamente que já deu aulas sobre escritores e livros que nunca leu. E, com humor, advertiu: “O único problema é se algum aluno tiver lido.”

De fato, ao nos depararmos com o cânon de obras universais obrigatórias, se a frustração que advém de não poder ou não conseguir ler todos é grande – às vezes nem os que estão em nossas humildes prateleiras – maior ainda é quando esquecemos os livros que já lemos. “Como falar dos livros que não lemos” trata de nos tranqüilizar quanto à “síndrome do esquecimento”. Todos que lêem bastante sabem que, depois de um certo tempo, pouco fica na memória. Difícil é admitir isso! Bayard diz que, “no momento em que estou lendo, eu já começo a esquecer o que li, e este processo é inelutável, prolongando-se até o momento em que tudo se passa como se eu não tivesse lido o livro e em que eu passo a ser o não-leitor”.

O mais interessante é que, para cada livro citado, ele indica em notas de rodapé seu grau de conhecimento e sua opinião sobre a obra, categorizando-os como Livros Folheado (L.F.), Livro de que Ouvi falar (L.O), Livros Esquecido (L.E.) e Livro Desconhecido (L.D).

A proposição polêmica de Bayard, que faz muita gente torcer o nariz, implica que é preciso ter lido – ao menos trechos ou livros sobre livros – e sobretudo que é preciso ter interesse nos livros para participar do mundo da cultura. Além de constatar que a “obrigação de ler tudo” para ser digno de falar sobre livros é praticamente irrealizável. Ele é picareta ou sincero?

Em Paraty, num caderno especial de O Globo, fez-se um enquete com os principais autores da Flip sobre qual livro clássico que eles não leram. “A montanha mágica“, de Thomas Mann foi o mais “não lido”, até por Luis Fernando Veríssimo. E vocês?